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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Cada vez pior
Muita gente pronuncia gratuito como se houvesse um hiato ali no meio, como em cuíca ou suíte (está errado; pronuncia-se como circuito, fortuito). Até aí nenhuma novidade. Mas não é que hoje me apareceu gratuíto, assim, com acento agudo no "i". Transformaram o erro de pronúncia em erro de grafia. O pior é que estava em uma mensagem da escola dos meus filhos e, como se não bastasse, foi grafado por uma estudante de Letras. Alguns dizem que não é assim, mas a minha impressão é de que a coisa só piora.
quinta-feira, 22 de março de 2012
Faça, seja, tenha
Hoje me deparei com uma notinha aqui no feicibu de uma pessoa atrás de um tradutor para “realizar um trabalho”. Pedia também que entrasse em contato quem se interessasse em “realizar um orçamento”. Duas vezes de uma tacada só é duro. Abusam do realizar. Qual é o problema com o bom e velho “fazer”? Acho que o sujeito deve pensar: “Fazer um trabalho? Que pobre! Vou é realizar um trabalho. Assim ele sai mais bem feito... Opa? Feito? Ah! Sei lá!”
E já que estamos falando disso, de vez em quando vejo por aí agências de tradução que anunciam orgulhosas: “efetuamos traduções”. Efetuamos?! Se o cliente fosse eu, já perderia o interesse e procuraria outra. Deixe o efetuar para operações aritméticas e para pagamentos (que já é uso corrente) e faça traduções.
E antes que eu me esqueça, dê uma chance ao ser e ao ter. Isso constitui a causa do problema. De jeito algum. Isso é a causa do problema. A casa possui sala, dois quartos… Nessa eu não moro. A casa tem sala, dois quartos… Da próxima vez que for escrever, faça, seja, tenha. São mais simples, poupam tinta, papel e tempo do leitor, e dão conta do recado direitinho.
E já que estamos falando disso, de vez em quando vejo por aí agências de tradução que anunciam orgulhosas: “efetuamos traduções”. Efetuamos?! Se o cliente fosse eu, já perderia o interesse e procuraria outra. Deixe o efetuar para operações aritméticas e para pagamentos (que já é uso corrente) e faça traduções.
E antes que eu me esqueça, dê uma chance ao ser e ao ter. Isso constitui a causa do problema. De jeito algum. Isso é a causa do problema. A casa possui sala, dois quartos… Nessa eu não moro. A casa tem sala, dois quartos… Da próxima vez que for escrever, faça, seja, tenha. São mais simples, poupam tinta, papel e tempo do leitor, e dão conta do recado direitinho.
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Receita de sucesso
Acabei de enviar uma mensagem pelo Facebook. Surgiram na tela os dizeres: "Your message was successfully sent." Meu detector da possibilidade de tradução porca apitou. Para quem tem o Facebook em português, o que é que aparece nessa hora? Quem traduziu preferiu o simples e direto "sua mensagem foi enviada" ou ficou quebrando a cabeça para meter esse successful e produziu um monstrengo como "sua mensagem foi enviada com sucesso" ou "o envio da sua mensagem foi bem-sucedido"?
Se você ainda não percebeu, os anglofalantes são fissurados nesse negócio de sucesso e fracasso. A toda hora aparece failure ou success. He failed to do this, failed to do that. He successfully completed the task. É uma das muitas esquisitices da língua deles. Bom, de esquisitice o português também está cheio. Para que mais uma, né não? Quando aparecer successful e assemelhados, tradutor, olhe com carinho que, não raro, dá muito bem para você passar sem eles. A inculta e bela agradece.
Se você ainda não percebeu, os anglofalantes são fissurados nesse negócio de sucesso e fracasso. A toda hora aparece failure ou success. He failed to do this, failed to do that. He successfully completed the task. É uma das muitas esquisitices da língua deles. Bom, de esquisitice o português também está cheio. Para que mais uma, né não? Quando aparecer successful e assemelhados, tradutor, olhe com carinho que, não raro, dá muito bem para você passar sem eles. A inculta e bela agradece.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
O livro didático
Acho que se criou uma polêmica desnecessária em torno do tal livro didático que, supostamente, ensina os alunos a escrever errado. Descontextualizaram, se esqueceram de que é um livro de EJA (educação para jovens e adultos) e não para crianças pequenas, ou seja, é feito para gente que já fala (errado ou não) há mais tempo. Confundiram válido com certo/correto. Você não pode chegar para um aluno de EJA e dizer para ele que ele não pode falar daquele jeito. “Mas como?! Sempre falei e me comunico muito bem, obrigado.” Devemos mostrar a ele que aquela forma, embora válida por ser corrente e por ser usada por muitos e compreendida por todos, não é aceita em situações em que a norma culta é exigida. Cumpre mostrar também que a norma culta lhe abrirá mais portas do que sua forma de falar, mesmo que esta lhe permita se fazer entender.
Como me lembra a minha mulher, linguista, professora, tradutora e doutora em Teoria da Literatura, o Ataliba de Castilho trata disso há tempos, mas nunca levou as cacetadas que a autora desse livro está levando. Acho eu que não levou porque o fato não chegou ao noticiário como chegou o livro do MEC e também porque ele é um nome respeitado na área. Li um comentário na Internet que resume bem a questão. Uma pessoa, intitulada Georgeumbrasileiro, disse o seguinte: “(...) o que esta cartilha ‘prega’ é mais simples do que estão querendo pintar por aí: conheça a norma culta e saiba usá-la competentemente, mas não se envergonhe de seu dialeto, que também expressa uma riqueza cultural, muito embora esta não tenha prestígio.”
Para finalizar, a Érica também me chama a atenção para algo importante. Essa discussão toda revela que o livro didático é tomado como se fosse o cânone dos cânones, a Bíblia, o que, na minha opinião, é um grande problema da educação no Brasil. O livro didático deve ser tão somente um APOIO. Se o professor não souber usá-lo e a aula não for boa, o livro, por mais maravilhoso que seja, não serve para muita coisa.
Como me lembra a minha mulher, linguista, professora, tradutora e doutora em Teoria da Literatura, o Ataliba de Castilho trata disso há tempos, mas nunca levou as cacetadas que a autora desse livro está levando. Acho eu que não levou porque o fato não chegou ao noticiário como chegou o livro do MEC e também porque ele é um nome respeitado na área. Li um comentário na Internet que resume bem a questão. Uma pessoa, intitulada Georgeumbrasileiro, disse o seguinte: “(...) o que esta cartilha ‘prega’ é mais simples do que estão querendo pintar por aí: conheça a norma culta e saiba usá-la competentemente, mas não se envergonhe de seu dialeto, que também expressa uma riqueza cultural, muito embora esta não tenha prestígio.”
Para finalizar, a Érica também me chama a atenção para algo importante. Essa discussão toda revela que o livro didático é tomado como se fosse o cânone dos cânones, a Bíblia, o que, na minha opinião, é um grande problema da educação no Brasil. O livro didático deve ser tão somente um APOIO. Se o professor não souber usá-lo e a aula não for boa, o livro, por mais maravilhoso que seja, não serve para muita coisa.
terça-feira, 10 de maio de 2011
A, E, I, O, U – Uma pesquisa informal
Faz pouco mais de um ano que estou morando no estado de São Paulo. Como estou sempre atento à língua e ao falar das pessoas, algumas diferenças me chamaram a atenção. Como já mencionei uma vez, uma que me incomodava era o hábito das pessoas de se referir aos outros apenas pela primeira sílaba. Meus filhos, com nomes tão lindos, viraram Rô e Clá. Uma frase como “Pá, fala pra mã que a Dá, a Mi e a Mê vão passar o fim de semana na casa do Ju” é perfeitamente compreendida na família da minha mulher, paulista de São José do Rio Preto. Tudo bem, faço ouvido de mercador e não dou bola. Mas tem uma diferença que ainda me incomoda: a pronúncia das vogais "e" e "o".
Fui alfabetizado em Brasília e me ensinaram que o som dessas vogais é aberto, como em pé e pó. Portanto, /a/, /é/, /i/, /ó/, /u/. Reparei que, aqui, pronunciam /ê/ e /ô/, fechados, como em vê e vô. Acho esquisitíssimo. As crianças voltam da escola falando em /ê/ e /ô/. A Érica sempre pegou no meu pé (mentira, eu que pego no pé dela) e também pronuncia /ê/ e /ô/.
Se você consultar uma boa gramática, a do Rocha Lima, por exemplo, verá que "quando em sílaba átona, anula-se a distinção, como fonemas, entre /é/ e /ê/ e entre /ó/ e /ô/, em favor das de timbre fechado". Trocando em miúdos, o correto seria /a/, /ê/, /i/, /ô/, /u/. Mas acho que não vou mudar meu jeito, burro velho que sou, e fico me perguntando: por que ensinaram errado para tanta gente? E IBGE, TRE? Não ouço ninguém dizer IBGÊ, TSÊ. Será que o som fechado é uma característica regional ou de determinados estados?
É aí que entra a ajuda de vocês. Respondam às perguntinhas abaixo. Depois compilo as respostas e publico os resultados.
1. Como você aprendeu, aberto (/é/ e /ó/) ou fechado (/ê/ e /ô/)?
2. Onde foi alfabetizado (cidade ou pelo menos estado ou região)?
3. Onde mora hoje?
4. Continua a pronunciar as vogais da mesma maneira que aprendeu?
Fui alfabetizado em Brasília e me ensinaram que o som dessas vogais é aberto, como em pé e pó. Portanto, /a/, /é/, /i/, /ó/, /u/. Reparei que, aqui, pronunciam /ê/ e /ô/, fechados, como em vê e vô. Acho esquisitíssimo. As crianças voltam da escola falando em /ê/ e /ô/. A Érica sempre pegou no meu pé (mentira, eu que pego no pé dela) e também pronuncia /ê/ e /ô/.
Se você consultar uma boa gramática, a do Rocha Lima, por exemplo, verá que "quando em sílaba átona, anula-se a distinção, como fonemas, entre /é/ e /ê/ e entre /ó/ e /ô/, em favor das de timbre fechado". Trocando em miúdos, o correto seria /a/, /ê/, /i/, /ô/, /u/. Mas acho que não vou mudar meu jeito, burro velho que sou, e fico me perguntando: por que ensinaram errado para tanta gente? E IBGE, TRE? Não ouço ninguém dizer IBGÊ, TSÊ. Será que o som fechado é uma característica regional ou de determinados estados?
É aí que entra a ajuda de vocês. Respondam às perguntinhas abaixo. Depois compilo as respostas e publico os resultados.
1. Como você aprendeu, aberto (/é/ e /ó/) ou fechado (/ê/ e /ô/)?
2. Onde foi alfabetizado (cidade ou pelo menos estado ou região)?
3. Onde mora hoje?
4. Continua a pronunciar as vogais da mesma maneira que aprendeu?
sábado, 4 de dezembro de 2010
Tradução biunívoca? Com certeza!
Tradução cada vez mais é uma correspondência biunívoca. Uma palavra de uma língua não raro acaba sendo traduzida sempre da mesma forma. O tradutor não para pra pensar que aquilo não é idiomático, não é o sentido do texto original ou, simplesmente, é um erro crasso. Hoje me apareceu no Estadão um 'definitivamente' mal empregado no caderno de Esportes. O contexto deixava mais do que claro que o texto em inglês dizia definitely, palavra para a qual o tradutor tinha várias opções em português: sem dúvida, decerto, é claro que… Ele tinha até o 'com certeza', que, por ser usado e abusado, já me parece de gosto duvidoso. No Brasil de hoje, se você faz uma pergunta que provavelmente receberá uma resposta afirmativa, há uma boa chance de o interlocutor mandar de lá um: “Com certeza!” Virou praga.
Mas voltando à tradução biunívoca, os tradutores não percebem que, dessa forma, estão entregando o ouro ao bandido. Ora, se basta trocar uma palavra por outra, o que, grosso modo, equivale a apertar um botão, qualquer um pode fazê-lo. A tradução por máquina se encaixa perfeitamente aí. Abram o olho, tradutores, pois, ao traduzirem mal e, em consequência, denegrirem o nosso ofício, vocês estão cavando a própria cova... e cada vez mais rápido.
Mas voltando à tradução biunívoca, os tradutores não percebem que, dessa forma, estão entregando o ouro ao bandido. Ora, se basta trocar uma palavra por outra, o que, grosso modo, equivale a apertar um botão, qualquer um pode fazê-lo. A tradução por máquina se encaixa perfeitamente aí. Abram o olho, tradutores, pois, ao traduzirem mal e, em consequência, denegrirem o nosso ofício, vocês estão cavando a própria cova... e cada vez mais rápido.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Um primor de texto
De perto ninguém é normal, já dizia Caetano. Tenho cá minhas esquisitices também. Uma delas é guardar jornal. Mas como assim? No fim do dia, não jogo o jornal fora se eu não o tiver lido. Guardo para ler quando puder. Na verdade, não leio o jornal exatamente por causa das notícias. Gosto dos comentários, das análises, dos editoriais. Ali está o melhor do jornal. Afinal de contas, nos dias de hoje é mais rápido receber as notícias pela Internet e pela TV. Mas com essa mania, às vezes se acumula uma pilha grande, da qual não me desfaço sem pelo menos dar uma passada de olho para ver se está indo embora algo importante. Sabe que vale a pena? Na terça-feira à noite, encontrei uma maravilha de crônica do João Ubaldo Ribeiro publicada no Estadão de domingo. Um primor de texto. Se eu simplesmente tivesse me desfeito do jornal, nunca teria lido aquela beleza. Bom, para quem ainda não leu, dê uma olhada aqui e se delicie.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Chapa (adendo)
Depois de escrever o artigo anterior, recebi uma mensagem de uma estimada colega e amiga, me chamando a atenção para o fato de que os chapas têm uma função específica: ajudar os caminhoneiros, seja orientando-os no trânsito, seja cuidando da carga e descarga do caminhão.
Mas e agora, isso muda alguma coisa na minha tradução? Sim, muda. Se eu estivesse, como mencionei, passando pela estrada e um estrangeiro me perguntasse o que significava aquilo, diria a ele a mesma coisa que disse antes (He is a day laborer) e explicaria que aquela pessoa faz um serviço específico. He helps truck drivers navigate the streets of large cities and oftentimes helps with loading and unloading the truck. Esse esclarecimento seria necessário e útil, pois os day laborers que ficam postados nos estacionamentos do 7 Eleven lá nos EUA se ocupam de outras tarefas, sobretudo na construção e na jardinagem.
Mas será que os caminhoneiros de lá dos EUA não têm o seu chapa para ajudar no trânsito das grandes cidades? Têm, têm sim. Ele segue o tempo inteiro na boleia do caminhão e se chama GPS.
Mas e agora, isso muda alguma coisa na minha tradução? Sim, muda. Se eu estivesse, como mencionei, passando pela estrada e um estrangeiro me perguntasse o que significava aquilo, diria a ele a mesma coisa que disse antes (He is a day laborer) e explicaria que aquela pessoa faz um serviço específico. He helps truck drivers navigate the streets of large cities and oftentimes helps with loading and unloading the truck. Esse esclarecimento seria necessário e útil, pois os day laborers que ficam postados nos estacionamentos do 7 Eleven lá nos EUA se ocupam de outras tarefas, sobretudo na construção e na jardinagem.
Mas será que os caminhoneiros de lá dos EUA não têm o seu chapa para ajudar no trânsito das grandes cidades? Têm, têm sim. Ele segue o tempo inteiro na boleia do caminhão e se chama GPS.
E aí, meu chapa
Ontem me lembrei de outra palavra que aprendi depois que me mudei para o estado de São Paulo. Há uns meses, dirigindo pela rodovia Dom Pedro I, vi num sinal bem tosco, de papelão, próximo ao acostamento. Nele se lia a palavra CHAPA. Curioso que sou, fiquei me perguntado que história de chapa era aquela, mas acabei me esquecendo dela antes de voltar para casa.
Uns dias depois, passei lá com a Érica e aí perguntei a ela do que se tratava. Descobri que chapa é simplesmente um trabalhador informal, que fica ali na beira da estrada esperando alguém que passe e lhe ofereça um serviço, normalmente um trabalho braçal. Não me lembro de ver isso em Brasília.
Para os tradutores, como é que a gente chamaria esse chapa em inglês? Se eu estivesse passando ali na hora com um estrangeiro e ele me perguntasse o que significava aquilo, eu lhe diria, “He’s a day laborer”, que é uma figura bastante comum nos EUA.
Mas é bom ter cuidado na hora de traduzir do inglês para o português. Primeiro, chapa é uma gíria, enquanto day laborer não é necessariamente parte do registro informal da língua inglesa. Antes, é uma expressão da norma padrão do inglês.
Segundo, day laborer é um conceito bem mais amplo. Pode se referir tanto aos trabalhadores informais e pouco especializados que se reúnem em esquinas ou no estacionamento de lojas de conveniência à espera de alguém que passe e lhes dê serviço (a ideia mais próxima do nosso chapa), como aos que trabalham por empreitada e conseguem serviços de curta duração, normalmente inferior a um dia, de agências de emprego ou sindicatos.
Terceiro, é bom ter em mente também que uma parcela significativa desses trabalhadores é formada por imigrantes ilegais. Por esse motivo, embora sirvam de mão-de-obra barata para uns, são alvo de preconceito de outros e chegam até a ser vistos como criminosos em potencial.
Para concluir, do português para o inglês, day laborer é uma boa tradução para chapa, mas essa equivalência não funciona no caminho inverso. Para quem ainda se lembra de matemática, não temos uma correspondência biunívoca. Trocando em miúdos, todo chapa é um day laborer, mas nem todo day laborer é um chapa. Como sempre, o contexto vai ditar a melhor opção.
Uns dias depois, passei lá com a Érica e aí perguntei a ela do que se tratava. Descobri que chapa é simplesmente um trabalhador informal, que fica ali na beira da estrada esperando alguém que passe e lhe ofereça um serviço, normalmente um trabalho braçal. Não me lembro de ver isso em Brasília.
Para os tradutores, como é que a gente chamaria esse chapa em inglês? Se eu estivesse passando ali na hora com um estrangeiro e ele me perguntasse o que significava aquilo, eu lhe diria, “He’s a day laborer”, que é uma figura bastante comum nos EUA.
Mas é bom ter cuidado na hora de traduzir do inglês para o português. Primeiro, chapa é uma gíria, enquanto day laborer não é necessariamente parte do registro informal da língua inglesa. Antes, é uma expressão da norma padrão do inglês.
Segundo, day laborer é um conceito bem mais amplo. Pode se referir tanto aos trabalhadores informais e pouco especializados que se reúnem em esquinas ou no estacionamento de lojas de conveniência à espera de alguém que passe e lhes dê serviço (a ideia mais próxima do nosso chapa), como aos que trabalham por empreitada e conseguem serviços de curta duração, normalmente inferior a um dia, de agências de emprego ou sindicatos.
Terceiro, é bom ter em mente também que uma parcela significativa desses trabalhadores é formada por imigrantes ilegais. Por esse motivo, embora sirvam de mão-de-obra barata para uns, são alvo de preconceito de outros e chegam até a ser vistos como criminosos em potencial.
Para concluir, do português para o inglês, day laborer é uma boa tradução para chapa, mas essa equivalência não funciona no caminho inverso. Para quem ainda se lembra de matemática, não temos uma correspondência biunívoca. Trocando em miúdos, todo chapa é um day laborer, mas nem todo day laborer é um chapa. Como sempre, o contexto vai ditar a melhor opção.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
A língua nossa de cada dia
Após ter passado praticamente a vida inteira em Brasília, minha cidade natal, e os últimos oito anos nos EUA, vim morar no interior de São Paulo, a mais ou menos uma hora da capital. Nesses quatro meses que estou aqui, tenho, como sempre, prestado muita atenção no que leio e escuto. Algumas coisas têm chamado a minha atenção, umas positivas, outras nem tanto.
Logo que chegamos, mais precisamente quando a Érica começou a dar aula, descobrimos com os alunos dela que uma coisa que sempre gostei de fazer tem nome. Desde pequeno, sempre tive o costume de molhar o pão ou a torrada ou o biscoito no café com leite. Aqui na região de Campinas, chamam isso de pochar. Conheciam? Serve também quando se molha o pão na sopa, no chá, etc. Entrou, claro, para o meu vocabulário.
Outra coisa que me chama a atenção aqui é o costume das pessoas de chamar as outras apenas pela primeira sílaba do nome. Não me lembro de fazermos isso em Brasília. Aqui é muito usual. Na escola, as crianças são chamadas de Rô e Clá. Pode?! E pensa que eles gostam? Já os instruí a responder que é Rodrigo e Clarissa. Mas para ter uma ideia de como é sério isso aqui, uma frase como esta seria perfeitamente compreensível na família da minha mulher, de São José do Rio Preto: “Pá, fala pra mã que a Dá, a Mi, o Fá e a Mê vão passar o fim de semana na casa da Vã e do Ju. Será que é costume só aqui em São Paulo ou isso é usual em outras partes do Brasil?
Mas tenho visto uma também que, vamos ser sinceros, é bem feia e, por mim, deveria sumir. Que história é essa de “chupa”? Quando o Flamengo eliminou o Corínthians na Libertadores, recebi um email de um amigo são-paulino com os dizeres “Chupa timinho”. No Twitter foi um tal de “Chupa Flamengo” após a eliminação da Libertadores. Mas não é só com time de futebol. No Twitter mesmo se lê Chupa PT, Chupa Garotinho, Chupa Dilma. Quando saí do Brasil no comecinho de 2002, eu não ouvia isso. De onde veio essa besteira? Tá bom de ela voltar pra lá e não aparecer mais.
Logo que chegamos, mais precisamente quando a Érica começou a dar aula, descobrimos com os alunos dela que uma coisa que sempre gostei de fazer tem nome. Desde pequeno, sempre tive o costume de molhar o pão ou a torrada ou o biscoito no café com leite. Aqui na região de Campinas, chamam isso de pochar. Conheciam? Serve também quando se molha o pão na sopa, no chá, etc. Entrou, claro, para o meu vocabulário.
Outra coisa que me chama a atenção aqui é o costume das pessoas de chamar as outras apenas pela primeira sílaba do nome. Não me lembro de fazermos isso em Brasília. Aqui é muito usual. Na escola, as crianças são chamadas de Rô e Clá. Pode?! E pensa que eles gostam? Já os instruí a responder que é Rodrigo e Clarissa. Mas para ter uma ideia de como é sério isso aqui, uma frase como esta seria perfeitamente compreensível na família da minha mulher, de São José do Rio Preto: “Pá, fala pra mã que a Dá, a Mi, o Fá e a Mê vão passar o fim de semana na casa da Vã e do Ju. Será que é costume só aqui em São Paulo ou isso é usual em outras partes do Brasil?
Mas tenho visto uma também que, vamos ser sinceros, é bem feia e, por mim, deveria sumir. Que história é essa de “chupa”? Quando o Flamengo eliminou o Corínthians na Libertadores, recebi um email de um amigo são-paulino com os dizeres “Chupa timinho”. No Twitter foi um tal de “Chupa Flamengo” após a eliminação da Libertadores. Mas não é só com time de futebol. No Twitter mesmo se lê Chupa PT, Chupa Garotinho, Chupa Dilma. Quando saí do Brasil no comecinho de 2002, eu não ouvia isso. De onde veio essa besteira? Tá bom de ela voltar pra lá e não aparecer mais.
sábado, 11 de julho de 2009
Tradução: cursos, ferramentas e o nosso maltratado português
Artigo redigido como comentário ao texto publicado no blog Tradutor Profissional, do Danilo Nogueira, um velho amigo e colega de profissão.
Sou egresso do curso de tradução da UnB, onde me formei em 98. Um ano depois, passei lá quatro semestres como professor. Até hoje, minha mãe não se conforma que, o curso da UnB, à semelhança de tantos outros pelo Brasil afora, não aplique uma prova de habilidade específica para peneirar os candidatos e permitir que só faça o curso quem realmente está habilitado linguisticamente a fazê-lo. O problema é que, a maioria dos candidatos ficaria nessa peneira e, ao fim da seleção, não haveria candidato suficiente para preencher todas as vagas. O que ocorreria? Após alguns anos o MEC fecharia o curso por falta de demanda. É, de certa forma, uma questão de sobrevivência.
Mas aí o curso sobrevive com um material humano abaixo, bem abaixo, da média. Um material humano que força os professores a nivelar por baixo. Quantas vezes eu me vi em situações em que poderia ter dado uma aula mais puxada, mais aprofundada para o benefício de uma meia dúzia que teria condições de absorver o conteúdo. Mas e os outros 12 ou 15 alunos? Eu me lembro de alunos que cometiam os mesmos erros, erros básicos, coisa que me haviam ensinado quando fiz o meu concurso para o Colégio Militar em 82. Apesar dos comentários e correções do professor, passavam o semestre inteiro cometendo vários dos mesmos erros. Um ano e meio depois, no meu último semestre como professor, lá estavam alguns desses alunos numa turma minha. E adivinhem? Aqueles velhos erros não haviam ficado pelo caminho.
Infelizmente, essa é a realidade do ensino brasileiro. Não é apenas culpa do professor universitário. É culpa de todo o mundo: do aluno que não se interessa (há uns poucos que se interessam), do sistema educacional, que necessita de melhorias urgentes, e dos professores, que ficam sem saber o que fazer ao se deparar com falhas gritantes que deveriam ter sido corrigidas na série ou nível anterior. Fazer o quê? Uma reprovação em massa? Enquanto não melhorarmos a situação lá na nascente, a água vai continuar chegando cada vez mais turva na foz. Mas que fique bem claro, essa insuficiência é generalizada. Está difícil encontrar quem saiba português e matemática, o mais básico, em qualquer profissão.
Quanto ao pecado de formar profissionais da tradução sem ensinar a usar ferramentas de tradução assistida por computador, acho que não é bem por aí. Há tantas coisas que aqueles jovens precisam aprender antes de travarem contato com Trados ou DV. Muitos não sabem nem redigir direito. Sim, está cada vez mais difícil arranjar trabalho se você não usa ferramentas de tradução, mas não é impossível. Se o cara não faz uma boa tradução nem com papel e caneta, não vai ser o Trados que vai resolver os problemas dele. Para deixar bem claro, num mundo perfeito, um bom curso de tradução deveria ensinar o uso de ferramentas de tradução, mas o que temos hoje em dia nos cursos por aí está bem longe da perfeição. Só não vale depreciar as universidades e faculdades porque, repito, a culpa não é só delas.
É bom dar uma olhada no perfil de quem ensina nos cursos de tradução. Muitos dos professores não atuam como tradutores ou atuam num mercado bem distinto do nosso, do mercado da tradução comercial, dos clientes internacionais. São simplesmente pesquisadores, gostam da teoria ou até mesmo têm ojeriza à prática. Para eles ainda é possível ignorar essas ferramentas (mas não por muito tempo). Assim, não há como esperar que venham a falar sobre elas.
Vale ressaltar também o que os alunos procuram no curso. São poucos os que saem de um curso de tradução e vão efetivamente trabalhar como tradutores. Há muita gente formada em tradução dando aula de inglês. Muitos o fazem para se manterem enquanto a carreira de tradutor não engrena, mas há quem fique o resto da vida como professor. Outros seguem o rumo da pesquisa. Minha mulher, por exemplo, formou-se em tradução na UNESP Rio Preto, mas não quis saber de traduzir. Enveredou-se por um mestrado e um doutorado em áreas conexas à tradução, mas recusa-se peremptoriamente a traduzir. Sempre que tento convencê-la, já puxa uma estaca da gaveta e a aponta para o meu peito.
Sou egresso do curso de tradução da UnB, onde me formei em 98. Um ano depois, passei lá quatro semestres como professor. Até hoje, minha mãe não se conforma que, o curso da UnB, à semelhança de tantos outros pelo Brasil afora, não aplique uma prova de habilidade específica para peneirar os candidatos e permitir que só faça o curso quem realmente está habilitado linguisticamente a fazê-lo. O problema é que, a maioria dos candidatos ficaria nessa peneira e, ao fim da seleção, não haveria candidato suficiente para preencher todas as vagas. O que ocorreria? Após alguns anos o MEC fecharia o curso por falta de demanda. É, de certa forma, uma questão de sobrevivência.
Mas aí o curso sobrevive com um material humano abaixo, bem abaixo, da média. Um material humano que força os professores a nivelar por baixo. Quantas vezes eu me vi em situações em que poderia ter dado uma aula mais puxada, mais aprofundada para o benefício de uma meia dúzia que teria condições de absorver o conteúdo. Mas e os outros 12 ou 15 alunos? Eu me lembro de alunos que cometiam os mesmos erros, erros básicos, coisa que me haviam ensinado quando fiz o meu concurso para o Colégio Militar em 82. Apesar dos comentários e correções do professor, passavam o semestre inteiro cometendo vários dos mesmos erros. Um ano e meio depois, no meu último semestre como professor, lá estavam alguns desses alunos numa turma minha. E adivinhem? Aqueles velhos erros não haviam ficado pelo caminho.
Infelizmente, essa é a realidade do ensino brasileiro. Não é apenas culpa do professor universitário. É culpa de todo o mundo: do aluno que não se interessa (há uns poucos que se interessam), do sistema educacional, que necessita de melhorias urgentes, e dos professores, que ficam sem saber o que fazer ao se deparar com falhas gritantes que deveriam ter sido corrigidas na série ou nível anterior. Fazer o quê? Uma reprovação em massa? Enquanto não melhorarmos a situação lá na nascente, a água vai continuar chegando cada vez mais turva na foz. Mas que fique bem claro, essa insuficiência é generalizada. Está difícil encontrar quem saiba português e matemática, o mais básico, em qualquer profissão.
Quanto ao pecado de formar profissionais da tradução sem ensinar a usar ferramentas de tradução assistida por computador, acho que não é bem por aí. Há tantas coisas que aqueles jovens precisam aprender antes de travarem contato com Trados ou DV. Muitos não sabem nem redigir direito. Sim, está cada vez mais difícil arranjar trabalho se você não usa ferramentas de tradução, mas não é impossível. Se o cara não faz uma boa tradução nem com papel e caneta, não vai ser o Trados que vai resolver os problemas dele. Para deixar bem claro, num mundo perfeito, um bom curso de tradução deveria ensinar o uso de ferramentas de tradução, mas o que temos hoje em dia nos cursos por aí está bem longe da perfeição. Só não vale depreciar as universidades e faculdades porque, repito, a culpa não é só delas.
É bom dar uma olhada no perfil de quem ensina nos cursos de tradução. Muitos dos professores não atuam como tradutores ou atuam num mercado bem distinto do nosso, do mercado da tradução comercial, dos clientes internacionais. São simplesmente pesquisadores, gostam da teoria ou até mesmo têm ojeriza à prática. Para eles ainda é possível ignorar essas ferramentas (mas não por muito tempo). Assim, não há como esperar que venham a falar sobre elas.
Vale ressaltar também o que os alunos procuram no curso. São poucos os que saem de um curso de tradução e vão efetivamente trabalhar como tradutores. Há muita gente formada em tradução dando aula de inglês. Muitos o fazem para se manterem enquanto a carreira de tradutor não engrena, mas há quem fique o resto da vida como professor. Outros seguem o rumo da pesquisa. Minha mulher, por exemplo, formou-se em tradução na UNESP Rio Preto, mas não quis saber de traduzir. Enveredou-se por um mestrado e um doutorado em áreas conexas à tradução, mas recusa-se peremptoriamente a traduzir. Sempre que tento convencê-la, já puxa uma estaca da gaveta e a aponta para o meu peito.
domingo, 21 de junho de 2009
Flodar (floodar)
Acabei de entrar em um site para assistir ao Brasil x Itália e me deparei com uma nova palavra: "flodar". Estava nas instruções do chat que acompanha a transmissão. Dizia lá: "Não é permitido flodar (mandar mensagens repetidamente)." Vem do inglês flood, que significa inundar. Para mim, é um aportuguesamento desnecessário, pois existe uma forma de expressar a mesma idéia em português. Pobre da inculta e bela. Mas é isso aí, o falante faz o que bem entender com a língua e lutar contra isso é inútil.
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Tradução de notícias
Dois tostões na esteira de uma mensagem recebida de um colega sobre uma tradução porca. O trecho em questão é este:
"A maioria dos presentes disse dar as boas-vindas à mudança de Obama, embora alguns, como o sargento retirado Israel del Toro tenham evitado fazer comentários a espera das decisões do próximo comandante-em-chefe." (http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3462308-EI12934,00.html)
Para os tradutores, a Internet é uma das melhores coisas já inventadas. Com ela, a informação está sempre acessível. Se eu me visse limitado a apenas uma ferramenta de referência, não pensaria duas vezes: Internet. Com uma boa pesquisa, se encontra (quase) tudo. Mas a Internet também cria problemas.
Hoje em dia, as notícias são dadas quase que imediatamente após o fato. Uma notícia sai em inglês na CNN, na Reuters, na AP e, em virtude da velocidade dos meios de comunicação, o público espera que ela apareça nas demais línguas logo em seguida. Quem traduz isso? Como é feita a tradução? Adoraria ver o que se passa nos bastidores de sites como G1, Terra, Uol para verificar o processo por que passa a notícia até ser transformada naquilo que tentam nos passar como português.
Costumo ler as notícias do Brasil no G1, no Estadão e, com menos freqüência, no Correio Braziliense. Como a língua portuguesa tem apanhado! Muita coisa parece ser feita com tradução automática (pelo computador), mas outras são orelhadas de gente em carne e osso, como esse "retirado" (reformado) e este trecho maravilhoso ("disse dar as boas-vindas à mudança de Obama"). O Obama mal assumiu o cargo e já vai se mudar?! Na verdade, a notícia está eivada de erros.
Tais erros são vistos com cada vez mais freqüência no noticiário e há muita gente que passa por eles naturalmente, sem se dar conta. E o pior é que eles acabam sendo incorporados nos artigos redigidos originalmente em português. Já notaram que cada vez menos se vê as palavras equipe e praticamente? No meu tempo, a Ferrari era uma equipe de Fórmula 1 e o Brasil mandava uma equipe para jogar a Copa Davis (de tênis). Hoje em dia praticamente se ouve apenas falar em time. O Ipatinga se viu “virtualmente rebaixado” no Brasileirão do ano passado, e o São Paulo, nas últimas rodadas, era o “virtual campeão”. Credo! Há quem argumente que isso é o irrefreável processo evolutivo da língua. Para mim é involução.
"A maioria dos presentes disse dar as boas-vindas à mudança de Obama, embora alguns, como o sargento retirado Israel del Toro tenham evitado fazer comentários a espera das decisões do próximo comandante-em-chefe." (http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3462308-EI12934,00.html)
Para os tradutores, a Internet é uma das melhores coisas já inventadas. Com ela, a informação está sempre acessível. Se eu me visse limitado a apenas uma ferramenta de referência, não pensaria duas vezes: Internet. Com uma boa pesquisa, se encontra (quase) tudo. Mas a Internet também cria problemas.
Hoje em dia, as notícias são dadas quase que imediatamente após o fato. Uma notícia sai em inglês na CNN, na Reuters, na AP e, em virtude da velocidade dos meios de comunicação, o público espera que ela apareça nas demais línguas logo em seguida. Quem traduz isso? Como é feita a tradução? Adoraria ver o que se passa nos bastidores de sites como G1, Terra, Uol para verificar o processo por que passa a notícia até ser transformada naquilo que tentam nos passar como português.
Costumo ler as notícias do Brasil no G1, no Estadão e, com menos freqüência, no Correio Braziliense. Como a língua portuguesa tem apanhado! Muita coisa parece ser feita com tradução automática (pelo computador), mas outras são orelhadas de gente em carne e osso, como esse "retirado" (reformado) e este trecho maravilhoso ("disse dar as boas-vindas à mudança de Obama"). O Obama mal assumiu o cargo e já vai se mudar?! Na verdade, a notícia está eivada de erros.
Tais erros são vistos com cada vez mais freqüência no noticiário e há muita gente que passa por eles naturalmente, sem se dar conta. E o pior é que eles acabam sendo incorporados nos artigos redigidos originalmente em português. Já notaram que cada vez menos se vê as palavras equipe e praticamente? No meu tempo, a Ferrari era uma equipe de Fórmula 1 e o Brasil mandava uma equipe para jogar a Copa Davis (de tênis). Hoje em dia praticamente se ouve apenas falar em time. O Ipatinga se viu “virtualmente rebaixado” no Brasileirão do ano passado, e o São Paulo, nas últimas rodadas, era o “virtual campeão”. Credo! Há quem argumente que isso é o irrefreável processo evolutivo da língua. Para mim é involução.
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