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domingo, 8 de janeiro de 2023

Dona Jô e o Dinamite

Quando eu era moleque, costumava pôr em ordem de preferência as pessoas de que eu mais gostava.

— Gosto primeiro do “teu pai”, depois do Zico, e depois da minha mãe.

Clarissa sempre ficou na bronca com essa história. Certa vez, me interpelou:

— Coitada da Vovó Jô, papai!

E eu retruquei:

— Ah, minha filha, é que você não viu o Zicão jogar.

Mas havia outro motivo para eu deixar minha mãe em terceiro. Ela gostava do Roberto Dinamite, o craque do Vasco, arquirrival do meu Flamengo. Eu não a perdoava por isso. Ainda bem que ela entendia o fanatismo do filho, pois o marido era tão ou mais fanático.

Tenho que admitir, contudo, que o Roberto era um tremendo jogador. Aquele gol contra o Botafogo, no Maracanã, em que ele amortece o cruzamento no peito, chapela o Osmar e fuzila de voleio o goleiro é demais! O Clássico dos Milhões, sem Roberto de um lado e Zico do outro, nunca mais foi o mesmo.

Pois Bob, se você encontrar a Dona Jô por aí, dá um beijão nela que ela vai ficar feliz. Vão com Deus!

P.S.: Nos tempos de hoje, com processador de texto, P.S. é um abuso, mas não estou nem aí. “Teu pai” era como eu e meu irmão nos referíamos ao meu pai. Por quê? Sei lá! Talvez porque as pessoas se referissem a ele como o “teu pai” e aí, sei lá, ficou. Nós o chamávamos assim e esse costume só foi abandonado, perto de ele morrer, quando eu estava para fazer 10 anos.

terça-feira, 8 de julho de 2014

E as lágrimas me correram pelo rosto

E as lágrimas me correram pelo rosto. Eu não chorava por uma derrota numa Copa desde 1986. E como chorei naquela Copa, durante toda a prorrogação e os pênaltis. Tinha 15 anos e via o último suspiro de uma geração maravilhosa, seguramente a melhor desde o tricampeonato; para alguns, a melhor que já tivemos. Mas hoje foi duro, está sendo duro, a dor não supera a de 86, mas algumas coisas vão ficar comigo para o resto da vida. Perder faz parte do jogo, mas perder como perdermos não é fácil. Gols de pelada de churrasco, linha de passe dentro da nossa área. Se nos serve de consolo, redimimos o Barbosa e os jogadores de 50, diminuímos, se nos perdoam os uruguaios, a importância do Maracanazo, se isso era possível. Quando entrou o sexto gol, a goleada clássica, me lembrei dos 6 x 0 que o Botafogo nos impôs e que lhes devolvemos, na mesma moeda, nove anos depois. Mas a lembrança mais amarga que vou guardar desta derrota é a carinha da Clarissa, minha filhotinha, olhando o pai de soslaio, o pai com lágrimas no rosto. Daqui a 10, 20, 30 anos, ela certamente vai dizer: "Eu me lembro daquele jogo, me lembro do meu pai, lágrimas nos olhos, naquela poltrona no canto da sala onde ele gostava de ver o futebol." Não queria deixar essa lembrança para ela, mas há emoções que a gente não segura. Sorte do Rodrigo, que absorto no seu Minecraft, não presenciou esse sofrimento todo. Mas bola pra frente que, amanhã, a vida continua.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Coisas que te deixam com os olhos marejados

Promessa é dívida: A tradução (livre, bem livre) do texto em inglês do dia 28 de abril.

"Acabei de receber uma mensagem da ex-professora da Clarissa do primeiro ano, lá da escola da Virgínia. Ela juntou recados enviados à Clarissa por alguns dos ex-coleguinhas. É o tipo de coisa que te deixa com os olhos marejados.

'Querida Clarissa,

A turma sente muita saudade de você! Temos umas coisinhas pra te dizer:

Espero que esteja curtindo aí no Brasil e torço para que se divirta bastante. (Caroline)

Espero que esteja se divertindo aí no Brasil. Você ainda tem aquele peixinho? (Natalie)

No Dia da Terra, demos um pulo fora da escola com os nossos colegas do quinto ano. Encontramos um monte de lixo e ajudamos a Terra. Você ainda está no meu coração e sinto muita saudade de você. Queria muito que você tentasse arrumar um voo para voltar com a sua família e vir à escola nos visitar. Queria que ficasse aqui pra sempre. Tenho certeza de que todos gostariam de te rever. (Kinsley)

Sinto tanta saudade de você! Estamos no quarto livro da Mrs. Piggle-Wiggle (Mitchell)

Espero que esteja curtindo bastante a sua nova escola. (McKenzie)

Quando estávamos catando lixo, encontramos uma canoa, mas não a jogamos fora; seria grande demais. (Christopher)

Sentimos muita saudade de você e torcemos para que volte. (Kate)

Clarissa, sentimos muita saudade de você. Esperamos que esteja se divertindo com sua família. Tem um menino novo, chamado Taylor, na nossa sala. Espero que esteja curtindo o Brasil. Adoramos quando você estava aqui conosco e ficamos tristes porque foi embora, mas ainda guardamos você no coração. Adoro você como amiga. Estamos muito felizes que você está se divertindo aí na sua nova casa. Sentimos muita saudade. Gostei pra valer de brincar com você e ainda guardo você no meu coração. (Brennan)

Espero que esteja gostando da sua nova casa. (Emily)

O tempo aí no Brasil é frio ou quente? Acho que deve ser quente porque fica perto do Equador. (Taylor)

Espero que esteja se divertindo aí no Brasil. (Eli)

Tem Dia da Terra aí no Brasil (Daniel B)

Espero que ainda esteja se divertindo aí no Brasil (Daniel F)'

O engraçado foi que, ontem à noite, a Clarissa pediu para dar uma olhada no scrapbook que deram para ela um dia antes de partirmos. Olhou detidamente cada página e, hoje de manhã, pediu para levá-lo para a escola, para mostrá-lo aos coleguinhas. Pra mim, foi uma coincidência assustadora.

Vou imprimir a mensagem da professora e deixá-la na cama da Clarissa. Vai ser uma tarde de fortes emoções."
 
Até que ela reagiu bem. Ficou felicíssima ao ler os recados. Os olhinhos brilhavam, mas não houve drama nem chororô porque queria voltar pra lá. Isso é bom.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Carro novo

Estamos de carro novo já há algumas semanas. Na verdade, nós não, o Rodrigo. Foi presente de aniversário atrasado, pois estávamos no Brasil em agosto.

Olha o sorriso dele ao ver o carro novo:


E os dois estão dividindo o carro direitinho. Cada hora, um dirige um pouco.


Parabéns pra ela!

Hoje é aniversário da minha filhotinha. Há seis anos nascia a Clarissa, para transformar nossa vida de maneiras que nem imaginávamos. Que a alegria desses poucos anos se repita pelo resto de nossas vidas.

Um beijão procê, Kika. Você será sempre a gatinha do seu papai.