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sexta-feira, 27 de março de 2020

Tradução, emoção


Quarentena, confinamento, mas, graças ao bom Deus, tenho trabalhado, ao que sou imensamente grato. Muita gente pelo mundo afora gostaria de estar trabalhando neste momento. Hoje, porém, está mais difícil.

Acabei de escrever (traduzir) algo mais ou menos assim:

O custo humano da tragédia já é assustador e o desafio que as autoridades europeias enfrentam agora para fazer face aos custos sociais e econômicos da crise não encontra precedentes em tempos de paz.

Me deu até um negócio.

Já não sei ao certo quantos textos sobre o coronavírus já traduzi, perto de 10, mas é palpável como eles vêm ficando mais pesados.

Não é fácil traduzir com lágrimas nos olhos. Não é. Não é a primeira vez, mas a segunda. Daquela vez, um projeto sobre violência de gênero, com a narrativa de casos reais, consegui me aguentar. A emoção só transbordou no fim, após o derradeiro ponto final.

Hoje, ainda estou no meio da tradução. O show tem que continuar. Quanto às lágrimas, são de tristeza por tudo isso à nossa volta, pelo porvir, que, decerto será ainda pior. E as lágrimas também são de raiva por termos um boçal, um debochado, um sujeito que não tem o mínimo cacoete de chefe de Estado no comando de uma luta que marcará uma geração inteira. Misericórdia!



quarta-feira, 25 de março de 2020

Quem tem razão?


Ontem foi aniversário da minha mãe. Dona Jô fez 84 anos. Ela me legou muitos ensinamentos, que guardo até hoje e me são úteis. Um dos mais importantes, mas que, na minha teimosia, levei muito tempo para entender e aceitar, foi que você pode até ter razão, mas a perde quando levanta a voz, insulta, agride, briga. Infelizmente, muita gente não percebe isso, como nosso presidente.

Bolsonaro tem razão ao se preocupar com a economia do País em meio a esta gravíssima crise sanitária. A forte desaceleração da atividade vai, sim, causar problemas socioeconômicos sérios — um processo que já começou — e pode até mesmo provocar uma convulsão social, causando mais sofrimento e mais mortes. Contudo, o presidente perde a razão ao, como fez no pronunciamento de ontem, sair da linha mais uma vez e atacar. Não é desse jeito que ele vai conseguir que sua ideia seja abraçada pela população.

Para piorar, Bolsonaro está se isolando cada vez mais. É atrito com o Legislativo e o Judiciário, inimigos desde o começo do mandato. São farpas constantes dirigidas à imprensa, de quem não deveria esperar nada além de críticas, pois imprensa é oposição, como dizia sabiamente o Millôr. É bate-boca com os governadores, que ao tomar decisões próprias mostram que já não veem mais em Bolsonaro um presidente capaz de exercer o comando no enfrentamento da crise. Acima de tudo, é a oposição que o presidente faz ao próprio governo, ao defender uma linha contrária às ações e recomendações de seus ministros, sobretudo o da Saúde. Fico me perguntando por que presidente e ministros não alinham o discurso e as ações antes de ir a público.

Sinto falta de alguém que consiga moderar o comportamento de Bolsonaro. Existe alguém que lê esses pronunciamentos antes da hora e pode aconselhar ao presidente que não carregue tanto nas tintas? Quem ele escuta além do Olavo, de seus filhos, essa gente tão ou mais raivosa do que ele? Quem no governo ou fora dele poderia frear esse ímpeto descontrolado? Isso tudo seria uma aposta política? Se (ou quando) o futuro que Bolsonaro vislumbra se concretizar, com todas as suas consequências negativas, o presidente poderá dizer que ninguém lhe deu ouvido e tomar as medidas que bem entenda. Por ora, porém, os números crescentes de mortos e de casos no Brasil e em várias partes do mundo, combinados com as evidências científicas e as recomendações dos profissionais da área de saúde, tornam essa aposta muito arriscada.

Claro, não podemos perder de vista que a tarefa que Bolsonaro tem pela frente é das mais árduas, ou melhor, a mais árdua: um choque duplo, a tempestade perfeita, uma escolha de Sofia. O cobertor é curto e, por isso, não será possível resolver todos os problemas. Será preciso encontrar um dificílimo equilíbrio entre as medidas para fazer frente à pandemia e as políticas para atenuar a recessão, quiçá, a depressão que vem por aí. Mas não vai ser com desunião que vamos vencer essa guerra.

Uma mudança de tom não vai resolver nossa crise, mas seria extremamente bem-vinda e um bom começo. Aproveitando que a Dona Jô está pertinho, a menos de 10 minutos de carro do Palácio do Planalto, sugiro a Bolsonaro que, se realmente não está contaminado com o coronavírus, do que ninguém tem certeza, vá lá visitar minha mãe e ouvi-la um pouquinho. Ela teria uns bons conselhos para ele. Até hoje, as palavras me ecoam na cabeça: “Não é o que você fala, mas a maneira como você fala.” Sábia Dona Jô!




sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Luto

Dormiam no Ninho nossos rubro-negrinhos, embalando o sonho de um dia envergar o Manto Sagrado entre os profissionais do Mais Querido. Nem imaginavam que teriam pela frente um marcador implacável, que os pegaria de surpresa e os tiraria de campo para sempre. Vencer, vencer, vencer, mas hoje, infelizmente, foram vencidos. Chora o futebol, choramos nós rubro-negros, choram, sobretudo, as famílias e amigos desses meninos. Perdemos 10 dos nossos. Que a Magnética saiba homenageá-los na próxima partida. Que os nossos mulambos joguem com ainda mais gana daqui para a frente para honrar-lhes a memória. E, acima de tudo, que se apurem as responsabilidades e que o Flamengo demonstre sua grandeza e acolha devidamente os que precisam ser acolhidos neste momento.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Vai ter Copa

Nem o mais pessimista poderia imaginar que um clima tão ambivalente se abateria sobre o país do futebol num momento como este. Esperamos 64 anos para tornar a organizar uma Copa e agora estamos assim? Alguns revoltados, dispostos a quebrar o pau e tudo mais que vier pela frente. Muitos envergonhados, enrustidos, com medo de assumir que vão torcer pelo Brasil. Quem poderia imaginar? Chega a ser surreal. Mas ainda é hora de darmos um jeito nisso.

O problema é que misturaram futebol, a melhor coisa que já inventaram, como diz um caro amigo, com política, ou melhor, com politicagem, corrupção, safadeza, coisas que poderiam muito bem ter ficado sem ser inventadas. Nesses sete anos desde 2007, vimos os bastidores da organização de uma Copa e tudo de pior que ela enseja. Isso maculou a nossa paixão, nos toldou a visão. Será que deixamos de gostar da Seleção? No fundo, no fundo, acho que não.

O gigante adormecido parece começar a se lembrar de que o futebol está no nosso sangue, de que o jogo de bola é paixão nacional, de que a Seleção, embora menos próxima por seus jogadores desfilarem em gramados que não os nossos, ainda faz parte da nossa cultura, da nossa arte. Na última semana, passei a ver mais bandeiras, mais verde e amarelo, um ou outro carro enfeitado, um comércio aqui e ali exibindo as nossas cores. Mas ainda é um movimento tímido. Parece que deixamos para a última hora até o ato de torcer.

Vejo dois motivos para essa timidez: medo e vergonha. Medo de uma represália mais forte, de ter o seu carro danificado ou o vidro do seu comércio quebrado por quem é radicalmente contra a Copa. Vergonha de aderir a tudo isso de ruim que testemunhamos, de passar uma imagem de que somos a favor de governantes que conduziram tão mal um processo que não poderia ter acabado assim, com as coisas inacabadas. Saibamos separar as coisas. Futebol é uma coisa, política é (deve ser) outra.

Eu sei, estamos meio envergonhados porque vem gente de fora e a casa não ficou pronta a contento. A parede está mal pintada, a mancha de xixi da criança continua no sofá, as cadeiras da sala de jantar estão meio bambas. Agora é tarde. Vamos manter a classe e sermos hospitaleiros. É o que nos resta. Torço para que corra tudo bem. Que os jogos sejam bons, os turistas não saiam daqui muito tosquiados e não haja nenhum acidente nessas obras feitas a toque de caixa. Em outubro, a gente se entende com quem muito prometeu, mas não fez o que deveria ter feito.

Numa crônica recente, o Luis Fernando Verissimo dizia que, em 1970, a torcida contra a Seleção, representante da ditadura militar na ideia de muitos, não resistiu à primeira investida do Jairzinho pela ponta direita contra a zaga adversária. Quando o Neymar abrir pela ponta hoje à tarde e for para dentro do João croata (salve Garrincha!), espero ver o mesmo efeito. Que o Brasil inteiro grite junto no primeiro gol. Não podemos deixar que Blatter, Dilma, Valcke, Lula, Aldo Rebelo nem ninguém estraguem esse momento. Vamos juntos rumo ao hexa!

P.S.: Meu palpite para o jogo de hoje? Brasil 2 x 1 Croácia, um do Fred e um do Paulinho, que tem uma sorte danada e vai fazer um gol na nova casa do ex-clube.

Farão falta

Honestamente, tenho me emocionado muito nos últimos dias ao pensar no desprendimento e humildade da nossa “presidenta” Dilma e do nosso ex-presidente Lula. Se oportunistas fossem, poderiam muito bem se aproveitar do evento de hoje à tarde no Itaquerão para se jactarem de terem organizado, com tamanha competência, evento tão grandioso: a Copa das Copas. Sim, graças ao esforço dos dois e de suas equipes, tudo — estádios, aeroportos, obras de mobilidade urbana (transportes?) — ficou pronto dentro do prazo e, mais importante, pouco se gastou. Mas Lula e Dilma não vão aparecer no estádio, não querem os holofotes. Para que roubar as atenções? O trabalho está feito. Hoje é a vez dos meninos que vão entrar em campo envergando a camisa amarelinha. Eu realmente me emociono e, com os olhos cheios de suor, penso: Oxalá Deus dê saúde e vida longa a esses dois grandes estadistas para que se alternem no poder e governem o Salvelindo por décadas e décadas.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

A tragédia de Santa Maria


Assustadores alguns comentários que li na Internet sobre a tragédia de Santa Maria. Destaco o que li de pior. Uma ou outra pessoa fala em acidente. Se há uma coisa que aprendi nos EUA, foi que não existe acidente. Existe irresponsabilidade, imperícia, desinformação, despreparo, falta de cuidado, falta de preocupação com a vida alheia, uso de material de pior qualidade para economizar. Quando essas coisas se combinam, os efeitos são desastrosos, trágicos, como vemos mais uma vez.

Também me chama a atenção a veemência com que alguns (muitos) saem atirando para todos os lados. Atacam as autoridades estabelecidas. “Isso é culpa dos bombeiros e da polícia que não fiscalizam, que não arrocham!” “São esses políticos vagabundos!” “É culpa da Dilma” (que, por sinal, fez uma coisa digna ao ir a Santa Maria e torna a mostrar uma face humana que raramente se vê no governo). Mas o pior são os brados de que “isso só ocorre no Brasil”. Quem me conhece sabe que, se o negócio é meter o pau no Brasil, tenho sempre uma ou duas coisas a dizer. Critico porque ainda me preocupo, porque moro aqui (aí) e porque gostaria de ver melhorias mais sólidas e rápidas. Mas hoje não.

A culpa não é só do Brasil. Essas tragédias ocorrem em outros lugares, até no chamado primeiro mundo. A primeira coisa que me veio à cabeça quando soube do ocorrido no Sul foi “Great White, Rhode Island”. Há dez anos, em um mês de fevereiro, um incêndio matou 100 pessoas em uma casa noturna naquele estado da costa nordeste americana. As semelhanças são gritantes. A queima do material de isolamento acústico, portas trancadas (só a banda pode sair por aqui), gente pisoteada. Infelizmente não aprendemos com, nesse caso, os erros dos outros. Oxalá aprendamos desta vez, que a tragédia foi no nosso quintal.

Para quem não lê inglês, pega o texto deste link (http://edition.cnn.com/2013/01/28/world/rhode-island-brazil-nightclub-fires/?hpt=hp_t1) e põe no Google Translate. Para isso a tradução automática serve. Vale a pena também dar uma olhada no artigo da Wikipedia sobre o incêndia e o desfecho do processo todo: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Station_nightclub_fire.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Irresponsabilidade não é fatalidade

Não consigo tirar da cabeça esse caso da menina que foi atropelada e morta por um jet ski numa praia do litoral paulista no fim de semana. Estive na praia com meus filhos há uns meses e fico pensando que, como ocorreu com essa criança, poderia ocorrer com um dos meus. Porém, como disse o nobre advogado, foi "um fatídico acidente". Ora, o jet ski não se materializou ali do nada. Alguém o entregou a uma pessoa que não estava habilitada a ligá-lo, que dirá conduzi-lo. Pronto, não há o que justificar.

Mas no Brasil é quase sempre assim. Irresponsabilidade, imperícia, incompetência, imprudência viram apenas um acidente, uma fatalidade. Nessas horas, chego a achar justificável o exagero que impera nos Estados Unidos, onde não existe acidente, onde alguém tem que ser responsabilizado sempre que alguma coisa de ruim ocorre. São os dois extremos, aqui e lá, mas o gosto da impunidade, que não nos sai da boca, é mais amargo do que qualquer outro.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Ela está de olho...

Dona Dilma está de olho nos bancos e quer meter-lhes um freio, pois estão faturando demais. Se ela vai realmente fazer alguma coisa, não sei, mas a iniciativa é boa e tem todo o meu apoio. Quem acompanha o caderno de Economia dos jornais lê a cada trimestre notícias de lucro recorde deste E daquele banco. Os nossos bancos oferecem um serviço bem ruinzinho e ganham muito, mas muito dinheiro em cima da gente. Fico pensando na entrevista de um americano que li há uns anos. Ele dizia que seu sonho era abrir um banco aqui. Nas palavras dele, "o melhor negócio no Brasil é um banco bem administrado. O segundo melhor? Um banco mal administrado." É por aí.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Ah, Brasil...

Após o desabamento dos prédios no Rio, ontem à noite, foram fechadas quatro estações de metrô nas imediações. Hoje li que havia taxistas se aproveitando da situação e rodando sem taxímetro. É isso, é prefeito que embolsa o dinheiro que deveria ser usado para ajudar os desabrigados pelas chuvas, é político que desvia praticamente toda a verba para o seu estado. O que me dá uma tristeza imensa é saber que isso tudo não é exceção, é regra. Brasileiro é assim. Quer ser esperto, tirar vantagem em tudo, passar a perna nos outros. Se ninguém tá vendo, qual é o problema? Isso não se faz? Faz sim, bobo, todo o mundo faz. É por isso que o país, embora avance, o faça de forma lenta. Isto aqui poderia ser bem melhor, mas ainda falta muito. E eu morro e não vejo o tão propalado futuro chegar. E não adianta reclamar dos políticos. São gente que nem os que votaram neles. Ah, Brasil...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Herança maldita

E a Dilma insiste nesse negócio de simplesmente sacar o ministro e deixar o ministério na mão de um partido que está mais interessado em mamar nas tetas da viúva. Tudo em nome da tal governabilidade. Trocando em miúdos, para governar, se é que se pode chamar assim, é preciso fazer vista grossa e deixar a turma se locupletar. Dividamos o butim entre nossos aliados para podermos ter maioria no Congresso e aprovar... Aprovar o que mesmo? O Congresso tem efetivamente aprovado alguma coisa relevante para melhorar a vida das pessoas e pôr o país no rumo do crescimento sustentado? E o Lula passou oito anos bradando contra uma tal herança maldita. Estou para ver herança mais maldita do que essa que ele legou à Dilma.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Deu no Estadão: "Projeto do Senado libera contratação de professores universitários sem pós. Se aprovado, projeto de lei que deve ir à votação dia 12 alterará a Lei de Diretrizes e Bases e permitirá que graduados sem títulos deem aula em caráter temporário - status que pode ser renovado indefinidamente. Proposta agrada a instituições particulares."

Tem gente por aí que torceu o nariz, mas sabe que eu gostei da ideia? Eu me encaixaria nisso aí. Dei aula durante dois anos no curso de tradução da UnB como professor substituto e gostaria de voltar a dar aulas. Aula é uma cachaça, é bom demais. Mas como não tenho mestrado, quanto mais doutorado (não é o meu perfil), fico praticamente impedido. Mas tenho certeza de que, com a minha experiência, teria mais a oferecer aos alunos do que gente que está aí nas universidades Brasil afora apenas exibindo seu título de doutor e encangando grilo. Meu único temor é que o salário, que já é baixo, vai ser ainda menor. Se já fazem aquela safadeza de pagar a um doutor salário de mestre quando completam o mínimo de doutores exigido pelo MEC, imagina o que não farão com os pobres graduados. Vamos ver no que vai dar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

E o inverno ainda nem chegou

Tem feito frio aqui (muito frio, diria o brasileiro típico). A mínima tem estado na casa de oito, nove graus Celsius. Não temos aquecimento, então só nos resta meter uma meia no pé e vestir calça comprida, blusa. Quem sente mais frio veste até mais de uma. Seria bom se tivéssemos calefação aqui em casa, mas esse é um luxo pelo qual pouquíssimos podem pagar no Brasil, embora as casas sejam bem menores do que as dos Estados Unidos. Mas não nos esqueçamos de que a minha conta de luz é mais alta do que a que eu pagava nos EUA, onde eu podia ficar numa boa dentro de casa, de short e camiseta, fizesse um frio polar ou um calor senegalês lá fora. O interessante é que o inverno é mais rigoroso nos EUA, mas a gente consegue aproveitá-lo mais, brincando na neve, esquiando. No Brasil, se comparamos, o inverno é ameno, mas ainda faz frio suficiente para incomodar, e a estação acaba se tornando muito mais um inconveniente do que uma diversão.

Is it winter yet?

It's been chilly here (the average Brazilian would say very cold). Lows have been in the upper 40s (Fahrenheit, of course). There's no heating, so all we can do is put socks on and wear one or more additional layers of clothes, depending on your endurance. I wish we could have heating, but an insulated home is a luxury very, very few can afford in Brazil, even though the average house is significantly smaller than in the U.S. But let us not forget that my energy bill is higher than what I used to pay in the U.S., where I could sit comfortably at home wearing shorts whether it was freezing cold or unbearably hot outside. Now here's an interesting point. Winters may be harsher in the U.S., but you get to enjoy them. In Brazil, even though winters are comparably mild, they are still harsh enough to be a nuisance, and the experience is upsetting rather than enjoyable.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

O homem da articulação

Não é difícil traçar um paralelo entre a Seleção e o governo Dilma. Falta aos dois o homem da articulação. Dizem que o Ganso é a solução para o problema da equipe do Mano, mas quem vai ser o Ganso da Dilma? O homem talhado para a função, segundo o técnico "anterior", foi para o chuveiro mais cedo, e agora ela diz que vai chamar a responsabilidade para si. O meio-campo em Brasília vai continuar embolado.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Tá chegando a hora

E o presidente do PT diz que o Palocci é problema do governo e não do partido. É isso aí, filho feio não tem pai. Enquanto isso, Palocci diz que se explica hoje. Uma explicação convincente não vai fazer muita diferença. Ele selou seu destino ao falar mais grosso do que deveria com o PMDB. Na política brasileira, não se faz isso impunemente.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Gênio da Raça

Fico espantado com a capacidade dos nossos homens públicos em matéria de economia e finanças. Multiplicar o patrimônio 20 vezes no curto período de quatro anos não é pouca coisa. Trata-se de um ás das finanças, o gênio da raça, como diria Glauber Rocha. O que me desaponta é que, guardadas as devidas proporções, essas sumidades não consigam fazer o mesmo pelas finanças do País.

Ao contrário do Serra, acho que o Palocci deve mesmo ser arrochado. E vou mais longe. O chefe da Casa Civil deveria vir a público, em cadeia nacional de rádio e televisão, para explicar, tim-tim por tim-tim, como fez para enriquecer dessa maneira. Assim, o povão poderia tentar reproduzir a mágica em casa e sair da pindaíba. Se eu conseguisse um quarto do que ele conseguiu, já estaria bom demais.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Onde investir

Investidor, se você está aí com um dinheiro ocioso na mão, sem saber onde aplicá-lo, há um setor no Brasil que está bombando, literalmente. É o de explosivos. Se você acompanha o noticiário, verá que as duas tentativas de implodir a arquibancada superior do Estádio Mané Garrincha, em Brasília, foram frustradas. Olha aí uma brecha para quem é competente e sabe fazer o serviço direito. Outro nicho que está na crista da onda é o de explosão de caixas eletrônicos. De uns tempos para cá, aparecia um caso aqui e ali no estado de São Paulo, mas, no último mês, praticamente se explode um caixa por dia, na capital e no interior. E já estão surgindo ocorrências em outros estados. Se considerarmos que, desafortunadamente, as autoridades não dispõem de verbas para reforçar o policiamento e arrochar os bandidos, esse nicho só tende a crescer. Agora é a hora!

De cueca e calcinha na mão

Não é exagero afirmar que todos sabem o que é necessário para resolvermos muitos dos problemas do País. No campo da legislação, para ser mais específico, se conversarmos com dez especialistas em Brasil, ONZE vão dizer que precisamos de uma reforma da Previdência, uma reforma da legislação trabalhista, uma reforma tributária, uma reforma política (decente, não a que está sendo feita em Brasília). A cada legislatura, alguns otimistas ainda teimam em esperar que alguma coisa de boa saia do Congresso, para o Brasil poder deslanchar de vez. Mas é tudo em vão. Praticamente, só vêm à tona notícias de corrupção, malversação, picaretagem, se a farinha é pouca, meu pirão primeiro etc. Mas, naturalmente, sempre sobra um espacinho para o estapafúrdio.

Na semana passada, além de o Congresso não conseguir votar o tão propalado Código Florestal, foi aprovado o projeto de lei que prevê que as roupas íntimas vendidas no Brasil devem trazer uma etiqueta com alertas sobre o uso de preservativos e sobre a importância de exames preventivos contra o câncer de mama, de colo do útero e de próstata. Claro, a educação sexual e o combate a essas doenças são importantes, ninguém há de negar, mas será que uma etiqueta em uma peça íntima vai fazer tanta diferença assim? Será que o Congresso precisa mesmo se ocupar desse e de outros assuntos em detrimento de temas bem mais importantes? O Brasil poderia avançar muito mais se as tão necessárias reformas fossem votadas e aprovadas, mas nossos senadores e deputados preferem desviar sua atenção e esforços para coisas como calcinhas e cuecas. Que me perdoem a infâmia, mas é coisa de um país muito bunda mesmo!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

You call that fun?

Érica está planejando levar as crianças ao Disney on Ice em São Paulo, agora em junho. Como vai um grupo grande (16 ao todo), ficou decidido que uma prima dela iria ao Ibirapuera comprar os ingressos para evitar pagar a taxa de (in)conveniência (20% do preço do ingresso). A prima precisou levar uma irmã porque havia um limite de oito ingressos por pessoa. Pois bem, as duas chegam ao Ibirapuera e, na hora de comprar, descobrem que precisavam ter levado cópia da certidão de nascimento de todos os pequenos para poderem ter direito a pagar meia-entrada para eles. Que gostoso, hein?!

Ingressos nos Estados Unidos não eram exatamente baratos, mas saíam muito mais em conta do que aqui. A TicketMaster também enfiava a faca, cobrando taxas e mais taxas (convenience charge, facility charge, rip-you-off charge), mas era razoavelmente competente se comparada com essa tal de Tickets for Fun. Em uma cidade como São Paulo, em que uma saída de casa para comprar um ingresso pode te custar uma tarde inteira, a taxa de conveniência às vezes convém. E até entendo o limite de ingressos por pessoa, mas exigir certidão é brincadeira. Pagamos um alto preço por vivermos em um país em que muitos são desonestos ou têm fama de sê-lo, pois, mesmo sem deitarmos na cama, acabamos levando a fama.

segunda-feira, 28 de março de 2011

Pobre consumidor brasileiro


As Lojas Americanas mostram que a relação entre comércio e consumidor no Brasil ainda tem muito a melhorar. Em suma, se der problema, o azar é seu, vá resolver com a assistência técnica. A loja quer apenas o seu dinheiro. E o consumidor vai acabar com um produto consertado em vez de novo. Esta foto foi tirada no dia 18/03, à noitinha, na loja do Shopping Valinhos, estado de São Paulo. Ah! Segundo me informa o Procon, a loja tem a obrigação de trocar o produto dentro dos primeiros sete dias da compra.