
domingo, 31 de maio de 2009
Copa de 2014
As cidades-sede estão escolhidas. Para termos uma Copa sem sustos, chegarmos à final e levantarmos o caneco, sugiro o seguinte: a Alemanha deve jogar no calor de Manaus. Itália, França (se chegar lá), Espanha e Inglaterra vão para as capitais do Nordeste; além de torrar no calor, vão pensar que estão de férias. No categoria calorão, ainda sobra Cuiabá, para onde podemos mandar alguma outra equipe européia mais encardida. Nigéria e Gana, supondo que serão estes os africanos mais perigosos da Copa, devem ir para Curitiba e Porto Alegre, para passarem bastante frio. Só ficou faltando uma sede para os argentinos. Se a FIFA houvesse deixado Florianópolis entre as 12, estava fácil, pois argentino só vai para lá para veranear. Mas a Argentina é freguês e não vai incomodar ninguém. Se o Uruguai não nos aprontar outro Maracanazo, a Copa é nossa.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Parentonomics
A experiência de ser pai vista pelos olhos de um economista. Algumas partes são hilárias. O capítulo sobre a trabalheira que deu para tirar a fralda das três crianças vale o livro. Depois eu conto.
quarta-feira, 27 de maio de 2009
O dom da oratória
Ontem à noite, vinha da aula ouvindo a NPR (www.npr.org). Estavam transmitindo a cerimônia em que o Obama anunciou a indicação da juíza Sonia Sotomayor para a Suprema Corte americana. Primeiro, ele discursou. Que beleza é ouvir o Obama falar. Quanta eloqüência! Para um político, ser bom orador já é meio caminho andado. Carregam-se massas apenas com a palavra. Depois fiquei pensando no Lula. A imagem que me vem quando o Lula discursa é a de um equilibrista na corda-bamba, mais precisamente de um equilibrista não muito hábil. Ele chegará ao outro lado, assim como o nosso presidente chegará ao fim do seu discurso, mas haverá desequilíbrios, sobressaltos, sustos, e o português apanhará um bocado. Quanta diferença…
Memorial Day (2)
O fim de semana desse feriado também marca o início do verão nos Estados Unidos. É quando se abrem as piscinas e a turma começa a temporada do barbeque, o churrasco deles, que não lembra muito o nosso. Aqui no nosso condomínio, a piscina abriu com algumas restrições. Até que se encerre o ano letivo nas escolas públicas, a piscina só abre após as 16h (as aulas terminam às 15h). Aqui ninguém tem refresco. Outra regra, esta um pouco menos sensata, estabelece que a nossa piscina só pode abrir depois do meio-dia. No melhor horário do dia, a manhã, ficamos impossibilitados de tomar um banhozinho. Chatos!
As piscinas ficarão abertas até o Dia do Trabalho, que aqui é comemorado na primeira segunda-feira de setembro. Depois disso, só em determinados lugares, como em centros comunitários para recreação e desporto (centros esses que merecem um texto à parte, pois são um primor). O que incomodo é que, apesar de o calor continuar até o início de outubro, não se abrem exceções. Pode fazer um calor de rachar, mas as piscinas fechadas no Dia do Trabalho só poderão ser freqüentadas de novo no ano seguinte, no próximo Memorial Day. Para nós brasileiros, que crescemos habituados a temperaturas altas quase o ano inteiro, é difícil, mas acabamos nos acostumando.
Para mim, particularmente, o Memorial Day é também o feriado das motos. Nesse fim de semana prolongado, dezenas de milhares de motoqueiros vêm a Washington nas suas Harleys para homenagear os prisioneiros de guerra e os soldados desaparecidos em combate. Existe inclusive uma organização sem fins lucrativos que congrega essas pessoas, a Rolling Thunder (http://www.rollingthunder1.com).
As piscinas ficarão abertas até o Dia do Trabalho, que aqui é comemorado na primeira segunda-feira de setembro. Depois disso, só em determinados lugares, como em centros comunitários para recreação e desporto (centros esses que merecem um texto à parte, pois são um primor). O que incomodo é que, apesar de o calor continuar até o início de outubro, não se abrem exceções. Pode fazer um calor de rachar, mas as piscinas fechadas no Dia do Trabalho só poderão ser freqüentadas de novo no ano seguinte, no próximo Memorial Day. Para nós brasileiros, que crescemos habituados a temperaturas altas quase o ano inteiro, é difícil, mas acabamos nos acostumando.
Para mim, particularmente, o Memorial Day é também o feriado das motos. Nesse fim de semana prolongado, dezenas de milhares de motoqueiros vêm a Washington nas suas Harleys para homenagear os prisioneiros de guerra e os soldados desaparecidos em combate. Existe inclusive uma organização sem fins lucrativos que congrega essas pessoas, a Rolling Thunder (http://www.rollingthunder1.com).
Memorial Day (1)
A última segunda-feira foi feriado. Foi o Memorial Day, o dia reservado aqui nos EUA para lembrar os americanos mortos nas várias guerras de que o país participou. É gente que não acaba mais. Para se ter uma idéia, só no cemitério nacional de Arlington estão enterrados os corpos de mais de 300 mil.
Mas não é esse o foco deste texto. Assim como boa parte dos feriados aqui nos Estados Unidos, o Memorial Day não cai numa data específica, mas sim num dia da semana pré-estabelecido. Mas como assim? O Memorial Day cai na última segunda-feira de maio. Dessa forma, a data sempre varia. Este ano, foi 25 de maio; ano que vem, será no 31 de maio. Com a exceção do Dia de Ação de Graças (última quinta-feira de novembro) e do 4 de julho (dia da independência), do Dia de Natal e do primeiro dia do ano, todos os outros feriados caem em segundas-feiras.
Eu acho esse sistema ótimo, para ser sincero. Assim, evita-se aquela farra que a gente vê no Brasil de dias de trabalho serem enforcados porque um feriado caiu na terça ou na quinta (ou até mesmo na quarta, em certas repartições públicas). Virei caxias de repente? Não é por aí. Num país como o Brasil, que ainda está longe de ser rico, não faz sentido jogar fora tantos dias de trabalho como se costuma fazer. Pelo que tenho visto ultimamente, essa preocupação não é só minha. Eu me recordo de ter visto umas duas reportagens sobre o assunto em telejornais da Globo. Numa, chegou-se até a calcular o prejuízo (milionário, vejam vocês) que o comércio do Rio tinha num dia enforcado em virtude de um feriado.
Eu ficaria satisfeito se me aparecesse algum político disposto a adotar o sistema à americana. Coitado, provavelmente lhe pespegariam a pecha de louco. Mas não custa tentar.
Mas não é esse o foco deste texto. Assim como boa parte dos feriados aqui nos Estados Unidos, o Memorial Day não cai numa data específica, mas sim num dia da semana pré-estabelecido. Mas como assim? O Memorial Day cai na última segunda-feira de maio. Dessa forma, a data sempre varia. Este ano, foi 25 de maio; ano que vem, será no 31 de maio. Com a exceção do Dia de Ação de Graças (última quinta-feira de novembro) e do 4 de julho (dia da independência), do Dia de Natal e do primeiro dia do ano, todos os outros feriados caem em segundas-feiras.
Eu acho esse sistema ótimo, para ser sincero. Assim, evita-se aquela farra que a gente vê no Brasil de dias de trabalho serem enforcados porque um feriado caiu na terça ou na quinta (ou até mesmo na quarta, em certas repartições públicas). Virei caxias de repente? Não é por aí. Num país como o Brasil, que ainda está longe de ser rico, não faz sentido jogar fora tantos dias de trabalho como se costuma fazer. Pelo que tenho visto ultimamente, essa preocupação não é só minha. Eu me recordo de ter visto umas duas reportagens sobre o assunto em telejornais da Globo. Numa, chegou-se até a calcular o prejuízo (milionário, vejam vocês) que o comércio do Rio tinha num dia enforcado em virtude de um feriado.
Eu ficaria satisfeito se me aparecesse algum político disposto a adotar o sistema à americana. Coitado, provavelmente lhe pespegariam a pecha de louco. Mas não custa tentar.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Mais respeito com as donas de casa (ou Tributo à Érica)
O marido volta do trabalho e não raro se surpreende ao encontrar a casa praticamente do mesmo jeito que a deixou. Um ou outro, mais corajoso ou desavisado, se vira para a mulher e pergunta: “O que você ficou fazendo o dia inteiro?” Aí o tempo fecha.
Vida de dona de casa não é fácil, especialmente no caso das chamadas stay-at-home moms, ou seja, as mães que não trabalham fora e ficam em casa cuidando das crianças. E olha que essas pobres, diferentemente das mães brasileiras de classe média alta para cima, não desfrutam do luxo de contar com empregada, faxineira, babá e outras fadas-madrinhas
Como estou saindo do meu emprego, agora é a minha vez de ser um stay-at-home dad. Desde a quinta-feira passada, tenho experimentado um pouco do que essas mães vivem. É matar um leão por dia. Hoje, enquanto engolia o almoço, fiquei pensando que essa tem sido a vida da Érica nos últimos cinco anos e meio e comecei a bolar este texto. Mas voltemos umas horas no tempo.
Acordei pouco antes das seis, fiz uma hora de esteira, tomei banho e saí para deixar a Clarissa na escola. Na volta, só deu tempo de tomar um café com leite, comer um pedaço de queijo e sair correndo para deixar a Érica na faculdade, lá em DC. Chegamos às 9h, em cima da hora. Daí, foi voltar correndo para Vienna e largar o Rodrigo na escola às 9h30. De lá passei no Costco para trocar uma camisa que havia comprado na segunda e corri para Arlington para a consulta com o terapeuta às 10h30. Às 11h20, voltei para casa. Tinha que temperar o salmão que vai para o forno à noite e tentar resolver uma ou duas coisas para então ir almoçar e apanhar o Rodrigo às 13h30. Já cansaram?
Em casa, troquei os lençóis da cama e estava me preparando para descer quando tocou o telefone. Ah, o telefone! Claro, a ligação durou mais do que eu esperava e acabei ficando com o tempo mais curto. Desci, arrumei a pia que havia ficado bagunçada do café, temperei o salmão, me vesti e corri para o McDonalds (!!), munido de uma pilha de jornais para ler enquanto comia (e já eram 12h50).
Nada de sanduíche, claro. Pedi uma saladinha com frango grelhado, sem molho nem croutons. Tenho carregado uns quilos extras que não me pertencem e cheguei à conclusão que me esfalfar na esteira não vai ser o suficiente para me fazer perdê-los no prazo que estipulei. Enquanto almoçava, consegui terminar a coluna da Lucy Kellaway do Financial Times de segunda-feira, cuja leitura eu havia iniciado ontem, enquanto esperava a Clarissa fazer a aula de natação. Ia começar a ler o Post de hoje, mas aí resolvi ganhar tempo e passar logo na lavanderia para pegar umas camisas e deixar outras.
Apanhei o Rodrigo na escola e, agora, ele dorme uma sonequinha até as 14h55, quando tenho que tirá-lo do berço, sem acordá-lo, se possível, enfiá-lo no carro e sair para apanhar a Clarissa na escola. Na volta, vou dar uma passada no supermercado para comprar umas alcaparras, limão e cebola. Érica já deverá estar em casa quando chegarmos, então terei ajuda para entreter as feras até a hora da janta, banho e cama. Ih! Ia me esquecendo de que hoje à noite a Érica dá aula. A janta, banho e cama vão ser por minha conta. O pior de tudo é que, no fim do dia, estarei morto e a minha lista de coisas a fazer estará praticamente intacta.
Quem passa o dia inteiro num escritório não imagina a dureza que é cuidar de criança. Eu costumo dizer que é mais ou menos como tentar executar uma série de tarefas enquanto outras pessoas (no meu caso, duas) tentam te atrapalhar. Os chefes, gerentes de projeto, diretores têm muito a aprender com as mães. O projeto que elas tocam tem uma vida mais longa do que a de qualquer tarefa em um escritório. Além disso, o cliente não grita, não chora, não esperneia. E, mais importante, você não tem laço afetivo algum com o cliente; já com a molecada em casa...
Ficou mal arrematado, mas vai assim mesmo que já são 14h55.
Vida de dona de casa não é fácil, especialmente no caso das chamadas stay-at-home moms, ou seja, as mães que não trabalham fora e ficam em casa cuidando das crianças. E olha que essas pobres, diferentemente das mães brasileiras de classe média alta para cima, não desfrutam do luxo de contar com empregada, faxineira, babá e outras fadas-madrinhas
Como estou saindo do meu emprego, agora é a minha vez de ser um stay-at-home dad. Desde a quinta-feira passada, tenho experimentado um pouco do que essas mães vivem. É matar um leão por dia. Hoje, enquanto engolia o almoço, fiquei pensando que essa tem sido a vida da Érica nos últimos cinco anos e meio e comecei a bolar este texto. Mas voltemos umas horas no tempo.
Acordei pouco antes das seis, fiz uma hora de esteira, tomei banho e saí para deixar a Clarissa na escola. Na volta, só deu tempo de tomar um café com leite, comer um pedaço de queijo e sair correndo para deixar a Érica na faculdade, lá em DC. Chegamos às 9h, em cima da hora. Daí, foi voltar correndo para Vienna e largar o Rodrigo na escola às 9h30. De lá passei no Costco para trocar uma camisa que havia comprado na segunda e corri para Arlington para a consulta com o terapeuta às 10h30. Às 11h20, voltei para casa. Tinha que temperar o salmão que vai para o forno à noite e tentar resolver uma ou duas coisas para então ir almoçar e apanhar o Rodrigo às 13h30. Já cansaram?
Em casa, troquei os lençóis da cama e estava me preparando para descer quando tocou o telefone. Ah, o telefone! Claro, a ligação durou mais do que eu esperava e acabei ficando com o tempo mais curto. Desci, arrumei a pia que havia ficado bagunçada do café, temperei o salmão, me vesti e corri para o McDonalds (!!), munido de uma pilha de jornais para ler enquanto comia (e já eram 12h50).
Nada de sanduíche, claro. Pedi uma saladinha com frango grelhado, sem molho nem croutons. Tenho carregado uns quilos extras que não me pertencem e cheguei à conclusão que me esfalfar na esteira não vai ser o suficiente para me fazer perdê-los no prazo que estipulei. Enquanto almoçava, consegui terminar a coluna da Lucy Kellaway do Financial Times de segunda-feira, cuja leitura eu havia iniciado ontem, enquanto esperava a Clarissa fazer a aula de natação. Ia começar a ler o Post de hoje, mas aí resolvi ganhar tempo e passar logo na lavanderia para pegar umas camisas e deixar outras.
Apanhei o Rodrigo na escola e, agora, ele dorme uma sonequinha até as 14h55, quando tenho que tirá-lo do berço, sem acordá-lo, se possível, enfiá-lo no carro e sair para apanhar a Clarissa na escola. Na volta, vou dar uma passada no supermercado para comprar umas alcaparras, limão e cebola. Érica já deverá estar em casa quando chegarmos, então terei ajuda para entreter as feras até a hora da janta, banho e cama. Ih! Ia me esquecendo de que hoje à noite a Érica dá aula. A janta, banho e cama vão ser por minha conta. O pior de tudo é que, no fim do dia, estarei morto e a minha lista de coisas a fazer estará praticamente intacta.
Quem passa o dia inteiro num escritório não imagina a dureza que é cuidar de criança. Eu costumo dizer que é mais ou menos como tentar executar uma série de tarefas enquanto outras pessoas (no meu caso, duas) tentam te atrapalhar. Os chefes, gerentes de projeto, diretores têm muito a aprender com as mães. O projeto que elas tocam tem uma vida mais longa do que a de qualquer tarefa em um escritório. Além disso, o cliente não grita, não chora, não esperneia. E, mais importante, você não tem laço afetivo algum com o cliente; já com a molecada em casa...
Ficou mal arrematado, mas vai assim mesmo que já são 14h55.
terça-feira, 5 de maio de 2009
Freakonomics
Natal fora de época
Foi sofrido, como foi. E o pior foi que o grito de “É campeão” ficou entalado na garganta mais de duas horas após o jogo haver terminado. A Globo Internacional e o PFC resolveram pregar uma peça nos flamenguistas e botafoguenses e transmitiram ao vivo para os EUA duas finais de campeonatos que já estavam praticamente decididos (que me perdoem os santistas e atleticanos). O jogo do Flamengo só viria depois de ser encerrada a transmissão da final paulista. E como demorou. Mostraram a festa toda, a entrega da taça, o apuro do capitão William com aquele inesperado fogo (Ronaldo reclamou, e com razão, da desorganização; coisas de Brasil misturar fogo com papel picado). Mas eu me mantive impassível e esperei. Felizmente, aqui não tem foguete nem grito do vizinho quando sai um gol. Dá muito bem para assistir ao “teipe” como se o jogo fosse ao vivo.
Mas como eu disse, foi sofrido, e o sofrimento começou na noite anterior. Sei lá o que me deu que eu sonhei que o Botafogo enfiava incríveis 8x0 no Flamengo. Acordei preocupado, com vontade de descer e ir ver o jogo. Mas aí me lembrei que ainda era sábado para domingo e a partida ainda seria jogada. Voltei a dormir. Mais tarde, sonhei que o Fla vencia por 2x1, mas o Bota igualava no finzinho, levava a decisão para os pênaltis e, pior, conquistava o título. Despertei ainda mais preocupado. Coisa de torcedor. Durante o dia, lembrei-me daquela fatídica final do estadual de 89, quando o Botafogo saiu da fila depois de 21 anos sem título. Naquela noite, havíamos ido comer um cachorro-quente lá na 106, no Neto (era bom aquele cachorro…). Já não me lembro bem quem estava comigo (Marcelo Viana?). Ao voltar para a quadra, comentei que estava com um mau pressentimento, que naquele noite ia dar bode. E pior que deu. Mas deixa isso pra lá e voltemos à tarde de ontem, que foi mais feliz.
No Brasil, a torcida já festejava o tri quando a Globo começou a passar o jogo aqui. Mas eu havia resisti e assistiria ao jogo todo para ter a mesma emoção que tiveram aí. Com os 2x0, pensei, “está no bolso”. O pênalti do Vítor Simões, defendido pelo Bruno, me deu a impressão de que ali o Botafogo se entregaria e o Flamengo ainda faria mais. Que nada! O Fogão não estava morto. No empate, me veio à memória a noite mal dormida. “Sequei o Mengão. Vai dar Botafogo nos pênaltis.” A Globo, para o Faustão poder entrar no horário, foi aos poucos cortando um pedacinho aqui e outro ali. Dos 38 do segundo tempo, pularam para os 47 e a expulsão do capita. Viriam os pênaltis e a minha profecia se tornaria realidade. E eu que já me preparava para ir cantar o “Chororô” com a Clarissa e o Rodrigo, que, como bons flamenguistas, já conhecem a letra (E ninguém cala, esse chororô…).
Mas São Bruno estava lá e fechou o gol. Eu estava uma pilha de nervos e o grito de campeão foi um alívio (tri, de novo, o terceiro que eu testemunho desde que me entendo por gente). Só não pude ver a festa toda porque a Globo tinha que seguir em frente com a sua programação “normal”. Bom, no fim das contas, dos males o menor: Perdi o campeonato (duas vezes!) no sonho, mas o pesadelo real acabou sendo dos torcedores do Glorioso.
Mas, alguns devem estar se perguntado, o que tem a ver essa história toda com Natal? Há alguns meses, o Bom Dia Brasil mostrou uma reportagem sobre como a paixão por um clube passa de pai para filho. Um sujeito do Rio definiu com rara precisão a felicidade que é ver o clube do coração ganhar um título. Parafraseando, é a sensação que você tem quando acorda no dia de Natal e sabe que o seu presente está ali te esperando. Sábias palavras. E o pior é que tem gente que não gosta de futebol. Que pena!
P.S.: Eu estava no Brasil quando o Bota ganhou o estadual de 89. Estava aqui nos EUA na conquista do Brasileirão de 92 e neste tricampeonato do Mengão. Será que em todas as finais contra o Botafogo eu vou ter que me ausentar do país para que o Flamengo se sagre campeão? Desse jeito, acho que vou ficar por aqui de vez.
P.S. 2: Num dia desses levei até um puxão de orelha porque não vinha atualizando o blog. Infelizmente o blog não tem sido uma prioridade nos últimos tempos por vários motivos, os quais não posso comentar agora (um dia o faço). Mas aos poucos retomo as coisas por aqui, estejam certos.
Mas como eu disse, foi sofrido, e o sofrimento começou na noite anterior. Sei lá o que me deu que eu sonhei que o Botafogo enfiava incríveis 8x0 no Flamengo. Acordei preocupado, com vontade de descer e ir ver o jogo. Mas aí me lembrei que ainda era sábado para domingo e a partida ainda seria jogada. Voltei a dormir. Mais tarde, sonhei que o Fla vencia por 2x1, mas o Bota igualava no finzinho, levava a decisão para os pênaltis e, pior, conquistava o título. Despertei ainda mais preocupado. Coisa de torcedor. Durante o dia, lembrei-me daquela fatídica final do estadual de 89, quando o Botafogo saiu da fila depois de 21 anos sem título. Naquela noite, havíamos ido comer um cachorro-quente lá na 106, no Neto (era bom aquele cachorro…). Já não me lembro bem quem estava comigo (Marcelo Viana?). Ao voltar para a quadra, comentei que estava com um mau pressentimento, que naquele noite ia dar bode. E pior que deu. Mas deixa isso pra lá e voltemos à tarde de ontem, que foi mais feliz.
No Brasil, a torcida já festejava o tri quando a Globo começou a passar o jogo aqui. Mas eu havia resisti e assistiria ao jogo todo para ter a mesma emoção que tiveram aí. Com os 2x0, pensei, “está no bolso”. O pênalti do Vítor Simões, defendido pelo Bruno, me deu a impressão de que ali o Botafogo se entregaria e o Flamengo ainda faria mais. Que nada! O Fogão não estava morto. No empate, me veio à memória a noite mal dormida. “Sequei o Mengão. Vai dar Botafogo nos pênaltis.” A Globo, para o Faustão poder entrar no horário, foi aos poucos cortando um pedacinho aqui e outro ali. Dos 38 do segundo tempo, pularam para os 47 e a expulsão do capita. Viriam os pênaltis e a minha profecia se tornaria realidade. E eu que já me preparava para ir cantar o “Chororô” com a Clarissa e o Rodrigo, que, como bons flamenguistas, já conhecem a letra (E ninguém cala, esse chororô…).
Mas São Bruno estava lá e fechou o gol. Eu estava uma pilha de nervos e o grito de campeão foi um alívio (tri, de novo, o terceiro que eu testemunho desde que me entendo por gente). Só não pude ver a festa toda porque a Globo tinha que seguir em frente com a sua programação “normal”. Bom, no fim das contas, dos males o menor: Perdi o campeonato (duas vezes!) no sonho, mas o pesadelo real acabou sendo dos torcedores do Glorioso.
Mas, alguns devem estar se perguntado, o que tem a ver essa história toda com Natal? Há alguns meses, o Bom Dia Brasil mostrou uma reportagem sobre como a paixão por um clube passa de pai para filho. Um sujeito do Rio definiu com rara precisão a felicidade que é ver o clube do coração ganhar um título. Parafraseando, é a sensação que você tem quando acorda no dia de Natal e sabe que o seu presente está ali te esperando. Sábias palavras. E o pior é que tem gente que não gosta de futebol. Que pena!
P.S.: Eu estava no Brasil quando o Bota ganhou o estadual de 89. Estava aqui nos EUA na conquista do Brasileirão de 92 e neste tricampeonato do Mengão. Será que em todas as finais contra o Botafogo eu vou ter que me ausentar do país para que o Flamengo se sagre campeão? Desse jeito, acho que vou ficar por aqui de vez.
P.S. 2: Num dia desses levei até um puxão de orelha porque não vinha atualizando o blog. Infelizmente o blog não tem sido uma prioridade nos últimos tempos por vários motivos, os quais não posso comentar agora (um dia o faço). Mas aos poucos retomo as coisas por aqui, estejam certos.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Flertando com o socialismo ao norte e ao sul do equador
O assunto mais debatido nas últimas semanas aqui nos EUA é a possível estatização (nationalization, em inglês) dos grandes bancos do país que estão à beira da bancarrota (fiquei com vontade de pôr a vírgula e transformar a locução de restritiva para explicativa, pois acho que não há grande banco que se salve). O tema da estatização não sai das páginas de economia dos jornais e discute-se até a definição exata do termo.
Alguns alegam que, para se configurar uma estatização, o Estado precisaria, ao mesmo tempo, ser dono da empresa, tocar os negócios no dia-a-dia e planejar mantê-la sob o seu controle por um bom tempo. Outros dizem que qualquer forma de participação do governo no capital de uma empresa já constitui uma estatização. Outros ainda apontam que seria necessário deter 51% do capital. Um dado interessante é que as normais contábeis obrigam o governo a incluir no seu balanço qualquer empresa da qual tenha mais de 80% das ações. Foi por isso que, ao salvar a seguradora AIG e as gigantes do setor imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, o governo americano assumiu o controle de 79,9% dessas empresas.
A Suécia estatizou temporariamente seus bancos no início dos anos 90 para debelar uma crise e obteve bastante êxito. Mas uma estatização, ainda que temporária, seria inaceitável para maioria da população nos EUA, pois fere os princípios do capitalismo. Assim, o governo Obama vem tentando de todas as maneiras evitar que o resgate dos grandes bancos seja feito dessa forma. Não quer de jeito nenhum o indesejado rótulo de socialista. Mas parece não haver saída.
Não resta dúvida de que os bancos precisam ser capitalizados. O povo não quer ver o Estado entregar bilhões de mão beijada aos banqueiros. O governo alega que a ajuda está sendo prestada na forma de reservas de capital. Aos olhos dos investidores, a ajuda não é capital mas sim um empréstimo que o governo vai cobrar num futuro não muito distante. A solução seria converter esse investimento público em ações ordinárias, mas aí configura-se a estatização. No fim das contas, tudo vai depender de os investidores decidirem se vale a pena voltar a investir nos bancos.
Enquanto isso, no Brasil, o governo Lula esbravejava na semana passada contra as demissões na Embraer. O presidente chegou a dizer que estava indignado com o fato. Em janeiro, o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já havia pressionado as montadoras por haverem demitido funcionários.
Desde o seu primeiro mandato, Lula é elogiado nos quatro cantos do mundo por ter, contra as expectativas, adotado uma política econômica responsável, pautada pela austeridade no trato das contas públicas e voltada para o mercado. Mas vez ou outra se percebe que o Lula vermelho, socialista, aquele da porta da fábrica no ABC, continua vivo, embora reprimido.
Não cabe ao governo reclamar desta ou daquela empresa porque afastou funcionários. Não é o papel dele. Isso não tem lugar no jogo econômico (sim, jogo, para usar uma imagem bem cara ao nosso presidente). Ao governo compete, na verdade, criar as condições para que se gerem empregos.
O contraste com o que se vê aqui nos EUA é gritante. Na atual recessão, que deprime com muito mais força a economia americana do que a brasileira, quase todos os dias se lê no caderno de economia dos jornais que uma empresa demitiu funcionários. O governo daqui não costuma ir à imprensa repreender empresários por isso. Demissões são um fenômeno normal. Ora, o ciclo econômico é feito de altos e baixos. Quando passar a recessão, voltam as contratações.
Nota: Havia concluído este artigo antes de tomar conhecimento, pelo G1, que as demissões na Embraer haviam sido suspensas pelo TRT de São Paulo. Não acho que isso seja salutar. O Executivo reclama, o Judiciário toma uma medida dessas. Isso cria um ambiente desfavorável aos negócios. Manter uma empresa e ter que tolerar a ingerência desta ou daquela autoridade na forma como toco meus negócios? De jeito nenhum. Cada um sabe do seu fluxo de caixa e onde o sapato aperta. Num arrocho financeiro, a patroa dispensa a empregada e, de duas uma, vai ela mesma fazer a faxina ou aprende a viver numa casa não tão limpa. Ela se apieda da pobre serviçal? Sim, mas não a ponto de sacrificar o seu próprio bolso. É uma ilustração simples, porém clara, de uma das leis básicas que regem as contratações e demissões em todos os níveis.
Alguns alegam que, para se configurar uma estatização, o Estado precisaria, ao mesmo tempo, ser dono da empresa, tocar os negócios no dia-a-dia e planejar mantê-la sob o seu controle por um bom tempo. Outros dizem que qualquer forma de participação do governo no capital de uma empresa já constitui uma estatização. Outros ainda apontam que seria necessário deter 51% do capital. Um dado interessante é que as normais contábeis obrigam o governo a incluir no seu balanço qualquer empresa da qual tenha mais de 80% das ações. Foi por isso que, ao salvar a seguradora AIG e as gigantes do setor imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac, o governo americano assumiu o controle de 79,9% dessas empresas.
A Suécia estatizou temporariamente seus bancos no início dos anos 90 para debelar uma crise e obteve bastante êxito. Mas uma estatização, ainda que temporária, seria inaceitável para maioria da população nos EUA, pois fere os princípios do capitalismo. Assim, o governo Obama vem tentando de todas as maneiras evitar que o resgate dos grandes bancos seja feito dessa forma. Não quer de jeito nenhum o indesejado rótulo de socialista. Mas parece não haver saída.
Não resta dúvida de que os bancos precisam ser capitalizados. O povo não quer ver o Estado entregar bilhões de mão beijada aos banqueiros. O governo alega que a ajuda está sendo prestada na forma de reservas de capital. Aos olhos dos investidores, a ajuda não é capital mas sim um empréstimo que o governo vai cobrar num futuro não muito distante. A solução seria converter esse investimento público em ações ordinárias, mas aí configura-se a estatização. No fim das contas, tudo vai depender de os investidores decidirem se vale a pena voltar a investir nos bancos.
Enquanto isso, no Brasil, o governo Lula esbravejava na semana passada contra as demissões na Embraer. O presidente chegou a dizer que estava indignado com o fato. Em janeiro, o Ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já havia pressionado as montadoras por haverem demitido funcionários.
Desde o seu primeiro mandato, Lula é elogiado nos quatro cantos do mundo por ter, contra as expectativas, adotado uma política econômica responsável, pautada pela austeridade no trato das contas públicas e voltada para o mercado. Mas vez ou outra se percebe que o Lula vermelho, socialista, aquele da porta da fábrica no ABC, continua vivo, embora reprimido.
Não cabe ao governo reclamar desta ou daquela empresa porque afastou funcionários. Não é o papel dele. Isso não tem lugar no jogo econômico (sim, jogo, para usar uma imagem bem cara ao nosso presidente). Ao governo compete, na verdade, criar as condições para que se gerem empregos.
O contraste com o que se vê aqui nos EUA é gritante. Na atual recessão, que deprime com muito mais força a economia americana do que a brasileira, quase todos os dias se lê no caderno de economia dos jornais que uma empresa demitiu funcionários. O governo daqui não costuma ir à imprensa repreender empresários por isso. Demissões são um fenômeno normal. Ora, o ciclo econômico é feito de altos e baixos. Quando passar a recessão, voltam as contratações.
Nota: Havia concluído este artigo antes de tomar conhecimento, pelo G1, que as demissões na Embraer haviam sido suspensas pelo TRT de São Paulo. Não acho que isso seja salutar. O Executivo reclama, o Judiciário toma uma medida dessas. Isso cria um ambiente desfavorável aos negócios. Manter uma empresa e ter que tolerar a ingerência desta ou daquela autoridade na forma como toco meus negócios? De jeito nenhum. Cada um sabe do seu fluxo de caixa e onde o sapato aperta. Num arrocho financeiro, a patroa dispensa a empregada e, de duas uma, vai ela mesma fazer a faxina ou aprende a viver numa casa não tão limpa. Ela se apieda da pobre serviçal? Sim, mas não a ponto de sacrificar o seu próprio bolso. É uma ilustração simples, porém clara, de uma das leis básicas que regem as contratações e demissões em todos os níveis.
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
O Brasil na vanguarda do desenvolvimento
Assisti com interesse à notícia de que foi aprovada legislação para obrigar as montadoras a instalar air bags como equipamento de série nos carros novos. Como ela ainda precisa ser sancionada pelo Presidente e regulamentada pelo Contran, e a indústria automobilística terá cinco anos para se adaptar à nova regra, vai levar tempo até a mudança ser efetivada. De qualquer forma, apesar da demora, a notícia é muito bem-vinda.
Os air bags para o motorista e o passageiro da frente são equipamento de série nos carros fabricados nos EUA há dez anos. Quem quer mais proteção pode comprar um carro aqui, não necessariamente um modelo caro, com oito a dez air bags. Quando o sistema é ativado, se forma um cortina que protege, inclusive, os passageiros no banco de trás. Sabe lá Deus quando chegaremos a esse estágio. Mas isso não me preocupa tanto. Há outros problemas não tão complexos que já deveriam ter sido resolvidos no que tange à segurança dos veículos brasileiros.
Quando vamos ao Brasil, é comum alugarmos um carro, especialmente em Brasília. Normalmente, escolhemos um modelo popular, com ar condicionado e só, que é o que nosso orçamento comporta. Não dá para ir além disso, pois o que se cobra pelo aluguel de um veículo no nosso país é proibitivo. Pois bem, uma vez alugamos um Palio “quatro portas” e, num belo dia, a Clarissa, muito curiosa, abriu a porta com o carro em movimento. A sorte foi que ela estava na cadeirinha, presa pelo cinto, o que evitou um acidente grave.
É inconcebível que se venda um carro, seja ele popular ou não, sem um equipamento de segurança básico como travas à prova de crianças ou, dou outro exemplo, sem o desembaçador do vidro traseiro (como se o vidro completamente embaçado não atrapalhasse a direção). É uma irresponsabilidade que mostra como é curta a visão das montadoras. Quando morre o motorista e/ou os passageiros num acidente, lá se vão consumidores em potencial, que anos depois comprariam outros carros. As montadoras não se preocupam nem em preservar a sua base de clientes. Mas do jeito que vem crescendo a venda de automóveis nos últimos anos no Brasil, que diferença faz se morre uma (não tão) pequena fração dos compradores? Haverá muitos outros para compensar essa perda.
O principal argumento contra a instalação desses equipamentos “opcionais” (ao menos segundo pensam os fabricantes) nos carros populares é que os carros ficariam caros demais para o povão. Uma idéia: Por que o governo, de forma magnânima, não renuncia a uma parte do IPI, mais precisamente, ao valor que corresponderia à diferença de preço decorrente da instalação de itens de segurança em todos os carros? Estou certo de que a economia com a redução dos gastos hospitalares com acidentados e, acima de tudo, as vidas que se salvariam mais do que compensariam a receita não arrecadada. Está lançado o desafio.
Os air bags para o motorista e o passageiro da frente são equipamento de série nos carros fabricados nos EUA há dez anos. Quem quer mais proteção pode comprar um carro aqui, não necessariamente um modelo caro, com oito a dez air bags. Quando o sistema é ativado, se forma um cortina que protege, inclusive, os passageiros no banco de trás. Sabe lá Deus quando chegaremos a esse estágio. Mas isso não me preocupa tanto. Há outros problemas não tão complexos que já deveriam ter sido resolvidos no que tange à segurança dos veículos brasileiros.
Quando vamos ao Brasil, é comum alugarmos um carro, especialmente em Brasília. Normalmente, escolhemos um modelo popular, com ar condicionado e só, que é o que nosso orçamento comporta. Não dá para ir além disso, pois o que se cobra pelo aluguel de um veículo no nosso país é proibitivo. Pois bem, uma vez alugamos um Palio “quatro portas” e, num belo dia, a Clarissa, muito curiosa, abriu a porta com o carro em movimento. A sorte foi que ela estava na cadeirinha, presa pelo cinto, o que evitou um acidente grave.
É inconcebível que se venda um carro, seja ele popular ou não, sem um equipamento de segurança básico como travas à prova de crianças ou, dou outro exemplo, sem o desembaçador do vidro traseiro (como se o vidro completamente embaçado não atrapalhasse a direção). É uma irresponsabilidade que mostra como é curta a visão das montadoras. Quando morre o motorista e/ou os passageiros num acidente, lá se vão consumidores em potencial, que anos depois comprariam outros carros. As montadoras não se preocupam nem em preservar a sua base de clientes. Mas do jeito que vem crescendo a venda de automóveis nos últimos anos no Brasil, que diferença faz se morre uma (não tão) pequena fração dos compradores? Haverá muitos outros para compensar essa perda.
O principal argumento contra a instalação desses equipamentos “opcionais” (ao menos segundo pensam os fabricantes) nos carros populares é que os carros ficariam caros demais para o povão. Uma idéia: Por que o governo, de forma magnânima, não renuncia a uma parte do IPI, mais precisamente, ao valor que corresponderia à diferença de preço decorrente da instalação de itens de segurança em todos os carros? Estou certo de que a economia com a redução dos gastos hospitalares com acidentados e, acima de tudo, as vidas que se salvariam mais do que compensariam a receita não arrecadada. Está lançado o desafio.
sábado, 7 de fevereiro de 2009
Sinal dos Tempos
A coisa está realmente preta. Um artigo do Financial Times de ontem [http://www.google.com/search?hl=en&newwindow=1&as_q=&as_epq=investment+more+effective+than+tax+cuts&as_oq=&as_eq=&num=100&lr=lang_en&as_filetype=&ft=i&as_sitesearch=&as_qdr=all&as_rights=&as_occt=any&cr=&as_nlo=&as_nhi=&safe=off], revela que o FMI já está até recomendando a "estatização" de instituições financeiras em apuros. Quem diria, hein?! É bom ir colocando as barbas de molho que o negócio ainda vai piorar mais...
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Goiânia e a Copa de 2014
Que Brasília que nada! Minha torcida é para que Goiânia seja a cidade da região centro-oeste escolhida para ser uma das sedes da Copa de 2014. Mas antes que meus leitores da capital decidam me receber no aeroporto de pau e pedra na mão na próxima vez em que eu for à cidade, explico meus motivos.
Brasília tem político demais. Já imaginaram a farra que vai ser a distribuição de ingressos para camaradas, colaboradores, cupinchas e outros tantos? A secretária do senador vai certamente ganhar ingressos para ela e o marido não perderem nenhum jogo. Os assessores dos gabinetes dos deputados distritais tampouco ficarão de fora. E os empreiteiros que tocaram as obras necessárias para acolher o torneio? Claro, também serão agraciados. Não vai haver ingresso que chegue.
Pessimista, eu? De jeito nenhum! Sou, antes, um realista. Na Copa da Alemanha, a venda de ingressos foi controlada de perto pela FIFA e realizada pelo site oficial do organismo. Será que vai funcionar assim no Brasil? Fico me lembrando da confusão que foi a venda antecipada de ingressos para os shows do U2 na última visita da banda irlandesa ao Brasil. Pelas notícias que li, imperou a desorganização. Venda de ingressos no nosso país, sobretudo para partidas de futebol, me traz à mente imagens de longas filas nas bilheterias dos estádios; torcedores num sufoco danado, esperando horas e se empurrando para, não raro, saírem de mãos vazias; cambistas abocanhando a maior parte das entradas; a polícia descendo a borracha para tentar organizar a turba. Será que vai ser assim em 2014?
A Copa de 2010, na África do Sul, vai me ajudar a tirar essa teima. Se não houver problemas graves de organização, aumenta um tiquinho a minha esperança de que terei alguma chance de conseguir comprar ingressos para levar o Rodrigo a pelo menos um jogo em 2014. Mas aí surge outro problema: o preço. Vão tirar o couro da gente. Já criei um fundo para a Copa, para ir poupando um dinheirinho para não ter que ir de chapéu na mão ao banco tirar um empréstimo na véspera dos jogos.
Antes que me chamem a atenção, estou ciente de que já existem cinco cidades pré-selecionadas — Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília — e outras quatro cuja escolha é praticamente certa: Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador. Mesmo assim, não me deixo abater. Vai ser uma luta inglória, mas está lançada a minha campanha pessoal para tirar de Brasília a Copa e levá-la para Goiânia. Aguardo adesões.
Brasília tem político demais. Já imaginaram a farra que vai ser a distribuição de ingressos para camaradas, colaboradores, cupinchas e outros tantos? A secretária do senador vai certamente ganhar ingressos para ela e o marido não perderem nenhum jogo. Os assessores dos gabinetes dos deputados distritais tampouco ficarão de fora. E os empreiteiros que tocaram as obras necessárias para acolher o torneio? Claro, também serão agraciados. Não vai haver ingresso que chegue.
Pessimista, eu? De jeito nenhum! Sou, antes, um realista. Na Copa da Alemanha, a venda de ingressos foi controlada de perto pela FIFA e realizada pelo site oficial do organismo. Será que vai funcionar assim no Brasil? Fico me lembrando da confusão que foi a venda antecipada de ingressos para os shows do U2 na última visita da banda irlandesa ao Brasil. Pelas notícias que li, imperou a desorganização. Venda de ingressos no nosso país, sobretudo para partidas de futebol, me traz à mente imagens de longas filas nas bilheterias dos estádios; torcedores num sufoco danado, esperando horas e se empurrando para, não raro, saírem de mãos vazias; cambistas abocanhando a maior parte das entradas; a polícia descendo a borracha para tentar organizar a turba. Será que vai ser assim em 2014?
A Copa de 2010, na África do Sul, vai me ajudar a tirar essa teima. Se não houver problemas graves de organização, aumenta um tiquinho a minha esperança de que terei alguma chance de conseguir comprar ingressos para levar o Rodrigo a pelo menos um jogo em 2014. Mas aí surge outro problema: o preço. Vão tirar o couro da gente. Já criei um fundo para a Copa, para ir poupando um dinheirinho para não ter que ir de chapéu na mão ao banco tirar um empréstimo na véspera dos jogos.
Antes que me chamem a atenção, estou ciente de que já existem cinco cidades pré-selecionadas — Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Brasília — e outras quatro cuja escolha é praticamente certa: Curitiba, Fortaleza, Recife e Salvador. Mesmo assim, não me deixo abater. Vai ser uma luta inglória, mas está lançada a minha campanha pessoal para tirar de Brasília a Copa e levá-la para Goiânia. Aguardo adesões.
Os óctuplos da Califórnia
Uma façanha da mãe, que deu à luz oito crianças, ou mais um feito da medicina? A notícia nos jornais dessa quarta-feira aqui nos Estados Unidos revela que a melhor palavra para descrever o nascimento dos óctuplos é irresponsabilidade.
Segundo o artigo do Post de ontem, a mãe, 33 anos, solteira, desempregada, já tinha seis filhos, com idades entre 2 e 7 anos, dois deles gêmeos. A avó dessa prole toda saiu em defesa da filha e disse que ela é obcecada por crianças e apenas queria mais uma menina. Para tanto, recorreu a uma inseminação artificial (uma não, várias).
A mãe não deu mais detalhes sobre como os bebês foram concebidos nem sobre o médico que a ajudou nessa empreitada, que, seja dito, é tão irresponsável quanto a paciente.
Segundo o artigo do Post de ontem, a mãe, 33 anos, solteira, desempregada, já tinha seis filhos, com idades entre 2 e 7 anos, dois deles gêmeos. A avó dessa prole toda saiu em defesa da filha e disse que ela é obcecada por crianças e apenas queria mais uma menina. Para tanto, recorreu a uma inseminação artificial (uma não, várias).
A mãe não deu mais detalhes sobre como os bebês foram concebidos nem sobre o médico que a ajudou nessa empreitada, que, seja dito, é tão irresponsável quanto a paciente.
Copa de 2014
Tenho acompanhado pela Globo Internacional a visita dos representantes da FIFA às cidades brasileiras candidatas a sediar a Copa de 2014. Que pena que não estavam sobrevoando São Paulo quando houve aquele problema na favela de Paraisópolis, nem o Rio no momento em que os traficantes incendiavam aquele ônibus. Queria ver como o Ricardo Teixeira, presidente da CBF, e as autoridades locais explicariam aquelas cenas.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Vai ser um ano longo
Vi a metade do segundo tempo da estréia do Vascão da Gama contra o Americano. A coisa está (ou continua) feia. Nesse ritmo, vai ser um ano longo para o time da Colina.
Para ser sincero, não fiquei satisfeito com o rebaixamento do Vasco no Campeonato Brasileiro do ano passado. Nenhum rubro-negro deveria. No Brasileirão, você flamenguista preferiria assistir a dois Flamengo x Vasco (casa cheia, renda polpuda e toda a rivalidade do Clássico dos Milhões) ou a dois Flamengo x Santo André ou Flamengo x Avaí? Pense nisso.
Não vi nem os gols da virada da Cabofriense sobre o Fluzão, mas gostei do resultado.
E para não dizerem que sou injusto, o Friburguense merecia melhor sorte no Maracanã. O bandeirinha anulou bisonhamente o gol ao apontar aquele impedimento inexistente. É bom notar que o casal de bandeiras cometeu vários erros durante o jogo, prejudicando tanto um lado como o outro. Mas o Fla não tem nada com isso. E vamos rumo a mais um tri.
Para ser sincero, não fiquei satisfeito com o rebaixamento do Vasco no Campeonato Brasileiro do ano passado. Nenhum rubro-negro deveria. No Brasileirão, você flamenguista preferiria assistir a dois Flamengo x Vasco (casa cheia, renda polpuda e toda a rivalidade do Clássico dos Milhões) ou a dois Flamengo x Santo André ou Flamengo x Avaí? Pense nisso.
Não vi nem os gols da virada da Cabofriense sobre o Fluzão, mas gostei do resultado.
E para não dizerem que sou injusto, o Friburguense merecia melhor sorte no Maracanã. O bandeirinha anulou bisonhamente o gol ao apontar aquele impedimento inexistente. É bom notar que o casal de bandeiras cometeu vários erros durante o jogo, prejudicando tanto um lado como o outro. Mas o Fla não tem nada com isso. E vamos rumo a mais um tri.
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