sábado, 3 de julho de 2010

Brasil x Holanda

E veio o que ninguém queria. Por melhor ou pior que esteja a Seleção, sempre temos ao menos um fiozinho de esperança de que dá para chegar e trazer o caneco mais uma vez. Diga lá que não dava para ter esperança, ao menos de chegar à semifinal, com um primeiro tempo daqueles? Como o futebol é caprichoso. Fizemos um gol com dez minutos, após um passe magistral de quem talvez menos se esperasse, do jogador mais criticado, que em pouco mais de uma hora de jogo, foi do céu ao inferno. Precisava cumprir as nossas expectativas, Felipe Melo? Saímos para o intervalo absolutos, tínhamos a partida nas mãos (ou nos pés, diriam alguns), mas conseguimos perdê-la, jogar fora o trabalho de quatro anos, por assim dizer. Foi uma tragédia em três atos.

Na minha crônica sobre o jogo contra o Chile, deixei de mencionar um dos meus maiores temores com relação à nossa equipe. Em nenhuma das quatro primeiras partidas, havíamos jogado com o placar adverso. Tomamos um gol dos coreanos e outro dos marfinenses, mas isso não fez muita diferença porque ambas as partidas estavam praticamente ganhas. Como jogaria aquele Brasil se saíssemos atrás no placar? Historicamente, nossa Seleção não sabe jogar muito bem com um placar adverso. Ora, normalmente somos nós que marcamos primeiro. Quando saímos em desvantagem, nosso sangue latino ferve e aí a coisa fica mais difícil. Ontem, não precisamos nem sair em desvantagem para perder a cabeça.

Bastou o gol de empate, aos oito minutos do segundo tempo, para solapar a tranquilidade e a confiança dos guerreiros do Dunga. Admita-se que não foi um gol qualquer. Na verdade, o gol contra do Felipe Melo foi, isto sim, uma falha clamorosa do Júlio César, considerado por muitos, inclusive por mim, o melhor goleiro do mundo. Errou feio quem menos esperávamos que errasse. Mas não era motivo de desespero. Havíamos controlado a partida até então. Havia tempo para desempatar, marcar até mais de um gol para afastar de vez a ameaça holandesa. Porém, consumou-se ali o primeiro ato da tragédia.

Um olhar mais aguçado revelaria que a Seleção que voltou para o segundo tempo não era a mesma do primeiro. Já na saída, colocamos a bola pela lateral. Abdicamos de jogar. Com a estrutura já abalada e os jogadores nervosos, a casa veio abaixo com o segundo gol, um gol que a defesa tida como a melhor do mundo não poderia ter tomado. Numa jogada mais do que manjada, cruza-se a bola no primeiro pau para alguém cabeceá-la para trás e facilitar a conclusão de quem estiver no miolo da área. Era o segundo ato. Mais uma vez tomamos um gol de um baixinho carequinha, à la Zidane em 98. Que o próximo técnico da Seleção fique de olho em adversários com esse perfil.

Daí em diante foi só esperar o fim do terceiro e último ato. Em inglês, diz-se que uma ópera não chega ao fim enquanto a gorda não cantar. E a gorda cantou na hora em que o Felipe Melo deu a botinada no Robben. Se já estava difícil com o time completo, imagina com um a menos. Talvez, tivéssemos empatado se o Kaká houvesse passado aquela bola para o Nilmar quando o ataque da Seleção desceu num dois contra dois, ou se o Daniel Alves tivesse cobrado bem a falta como o fez no ano passado contra a África do Sul. Mas teríamos condições de segurar a Holanda com um homem a mais na prorrogação? Só os deuses do futebol sabem, mas tenho minhas dúvidas. Mas será que foi só isso? Duas infelicidades da melhor defesa do mundo e uma atitude desclassificante de um jogador puseram tudo a perder e adiaram o sonho do hexa? Não.

x – x – x

Em inglês (de novo!), diz-se que hindsight is 20/20. A ideia é que, depois do acontecido, de posse dos fatos, é muito fácil falar, criticar. Infelizmente, isso não se aplica ao Dunga. Muitas das críticas feitas antes da Copa se concretizaram. Vou me deter em duas. Primeiro, a expectativa era que o Felipe Melo faria das dele em algum momento da Copa. Dunga não percebeu que o entrevero entre seu cabeça-de-área e o Pepe na partida contra Portugal era prenúncio de que algo pior estava por vir. Segundo, perdemos a Copa na convocação. Dunga não tinha um plano B. Na hora em que precisou, olhou para trás e viu um banco pobre, sem opções. Não teve como mudar o time. É esperar que o próximo técnico leve os melhores e não os mais obedientes.

Resta o consolo de que nuestros hermanos argentinos caíram de quatro e também ficaram pelo caminho. Até 2014.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Brasil x Chile

Quase na hora do jogo com a Holanda e eu aqui ainda com a cabeça no jogo do Chile. Ando muito ocupado, com bastante trabalho, e o tempo está escasso. Parece que meu carma é ficar atolado durante a Copa do Mundo. Mas vamos ao jogo.

Diferentemente da maior parte dos cronistas esportivos, não fiquei satisfeito com o desempenho do Brasil. Junto-me ao Pelé, que afirmou que a Seleção ainda não o convenceu. Acho que o melhor jogo do Brasil foi contra a Costa do Marfim e ainda vejo o time carente em criatividade. Foram mais de 30 minutos até o gol, naquela cabeçada salvadora do Juan após o escanteio do Maicon. Até então, a Seleção pouco havia agredido o adversário.

Do lado positivo, achei que o Brasil estava mais leve, talvez pela entrada do Ramires, seguramente o destaque da partida. Ele fará falta no jogo contra a Holanda. Gostei também da zaga, que é o melhor que o Brasil tem oferecido até agora. Quem diria que chegaríamos a ver isso, numa seleção que, historicamente, sempre primou pela ofensividade e pela força de seu ataque? Os tempos estão mudando.

Apesar de não me convencer, acredito que a Seleção tem condições de passar pela Holanda. Não estamos jogando um futebol brilhante, mas já mostramos que será difícil marcar gols no Brasil e que temos poder de fogo para matar o jogo em um ou dois lances. Talvez ganhemos até a Copa com esse futebol competitivo, mas não é o que esperava ver. Sou fã do futebol bonito, bem jogado, e tá duro ver isso aí. Mas prometo tentar controlar minhas expectativas. Até a próxima.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Erros de arbitragem

Não sei realmente o que fazer com os repetidos erros de arbitragem na Copa. Triste ironia a Inglaterra ver invalidado um gol legítimo, marcado num lance muito parecido com aquele da final da Copa de 66, também contra a Alemanha. Os deuses do futebol têm um senso de humor meio esquisito. Tomaram com uma mão o que se havia dado com outra. Um chip na bola, como sugerem muitos, teria resolvido esse problema, mas não adiantaria nada no impedimento do Tevez contra o México nem na levada da bola com o braço pelo Luís Fabiano. Parar o jogo e analisar o lance na tela, como fazem na NBA, por exemplo, é uma boa ideia, mas teria que ser feito com a maior agilidade possível, para não sacrificar a dinâmica do jogo. Já imaginou interromper a toda hora para analisar cada lance duvidoso?

Em última análise, talvez o erro da arbitragem faça parte do charme do futebol. Que equipe ou seleção nunca foi beneficiada ou prejudicada por um erro do juiz ou do assistente? Lembram-se da estreia do Brasil no mundial de 78, na Argentina, quando o juiz anulou o gol de cabeça do Zico, alegando que havia apitado o fim do jogo enquanto a bola viajava após a cobrança de escanteio pelo Nelinho? O que dizer daquele gol legítimo da Espanha contra o Brasil na Copa de 86, aquela bola que bateu no travessão, caiu dentro do gol defendido pelo Carlos, mas que o juiz não viu? E a partida da Copa América contra a Argentina em que o Túlio levou a bola no braço e empatou o jogo em 2 x 2? Guardo com carinho aquela imagem do juizão, que, diante das veementes reclamações dos argentinos, apontava com as duas mãos para o próprio peito, indicando que o lance havia sido perfeitamente legal. Uma coisa é certa: erro do juiz contra o time dos outros é refresco.

Brasil x Portugal

Um caso grave de esquizofrenia. Descobrimos outra Seleção, bem diferente daquela que havia ganhado, e bem, da Costa do Marfim. Embora o resultado tenha sido o suficiente para sairmos em primeiro no grupo e evitarmos o outro lado da chave, que, ao menos na teoria, me parece bem mais difícil, foi uma jornada bem ruim para o Brasil e a decepção foi geral. Salvo Júlio César, Lúcio, talvez, ninguém jogou bem. Até o Juan, que elogiei no jogo passado, errou e quase mata o seu goleiro, que teve que entrar numa dividida com um avante português.

Mas o que fica mesmo dessa partida é que falta gente para criar oportunidades de gol. Todos viram que nos ressentimos da falta do Robinho, do Kaká e, quem diria, do Elano. De trás pra frente, Daniel Alves entrou bem nas duas partidas anteriores, mas me decepcionou saindo como titular. Ciscou muito, pra lá e pra cá, mas não fez nada de muito produtivo. Chegou a me fazer lembrar do Zinho na Copa de 94, que foi apelidado de enceradeira por girar e girar e girar. Bem ou mal, Elano dá mais consistência àquele meio-campo e deixa o seu golzinho. Fará falta contra o Chile.

Júlio Baptista foi uma negação. Fez número, só. Quem me acompanha no Twitter (jvdepaulo) viu que eu não conseguia esconder a minha raiva. Ele não se apresentou para jogar. Só na imaginação do Dunga, La Bestia, como J. Baptista era conhecido na Espanha, poderia carregar aquele meio-campo, armar o jogo do Brasil e municiar o ataque. Ficou patente que não temos opção. Ramires? Não, não chega aos pés do Kaká nem resolve o problema. Só nos resta torcer para que o Kaká esteja em forma e à disposição nos quatro jogos que faltam, pois ele é muito mais necessário do que temíamos.

Por fim, faltou Robinho, que sentiu uma contusão que ninguém sabe bem qual foi, um incômodo, segundo se informou. Estou convicto de que não sou o único que não aguenta mais essa seleção de monges enclausurados. Nada pode vazar, ninguém pode saber muito do cotidiano da equipe para não atrapalhar o trabalho rumo ao hexa. Mas voltando ao Robinho, não é que o Nilmar tenha jogado mal ou seja ruim. É um grande atacante, mas não consigo vê-lo chamando a responsabilidade para si e procurando armar o jogo, como Robinho procurou fazer contra a Coreia. O Róbson, com ou sem barba, é outro de quem vamos precisar muito se quisermos ir longe na Copa.

Se olharmos do outro lado da cerca, vemos motivo para preocupação, ainda que pequena. O Maradona mandou a campo sete reservas e, ainda assim, venceu a Grécia por 2 x 0. Há um porém: não acho que a seleção argentina tenha sido efetivamente testada até agora. Só pegou galinha morta. Nigéria, Coreia do Sul e Grécia não são grandes equipes. O México, ontem, foi o de sempre. Joga, joga, mas está fadado a perder sempre. Vejamos o que faz a Argentina contra a Alemanha. Aí sim poderemos ter realmente ideia do que pode fazer o time do Maradona e, claro, se teremos condições de fazer-lhes frente.

Mas acredito numa vitória contra o Chile logo mais. Não espero um adversário jogando aberto, pra frente. O Bielsa é “loco”, mas não é bobo. Certamente guarda na lembrança as duas sapecadas que levou nas eliminatórias, sobretudo a de Santiago. Como retornam Kaká e Robinho, confio num placar elástico, 4 x 1, para manter a tradição de goleadas nos chilenos em Copas.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Tem que começar na hora

Depois comento Brasil x Portugal, com a cabeça mais fria. O assunto agora é outro. Uma coisa que reparei desde terça-feira é que os jogos da última rodada da fase de grupos começaram rigorosamente na hora. Houve uma defasagem de, no máximo, um minuto entre as duas partidas do mesmo horário. Nesta rodada do grupo H, são menos de 5 segundos. Compara com a última rodada do Brasileirão, em que os quase rebaixados usam o expediente de só vir a campo cinco, dez minutos depois do início da rodada, na esperança de que os outros jogos terminem e eles ainda tenham um tempo para fazer o resultado necessário. É falta de profissionalismo e desrespeito com a torcida que está no estádio e em casa. Se recebessem uma multa alta, punitiva mesmo, não faziam essa presepada. O pior é que a CBF não está nem aí. É a cara do Brasil.

Brasil x Costa do Marfim

Falta meia hora para Brasil x Portugal e só agora escrevo minhas impressões sobre Brasil x Costa do Marfim. Perdoem a demora, mas andei muito ocupado com um trabalho grande.

Mas o que falar daquele jogo. O Brasil jogou bem melhor do que no primeiro jogo. Finalmente apareceu o verdadeiro futebol brasileiro. Destaques? Juan foi um monstro na zaga. Sempre preciso, um tempo de bola fantástico. É por isso que quase não se vê o Juan dar pontapé. O Lúcio também esteve bem, mas é aquele futebol meio atabalhoado. Quem anda acompanhando o noticiário, deve ter ouvido falar que o Felipão está trabalhando para uma TV sul-africana, comentando os jogos. Antes da partida, ele disse que, logo no primeiro lance, o Lúcio tentaria acertar o braço do Drogba. Não deu outra. Na primeira disputa com o marfinense, o Lúcio foi lá e deu-lhe um soco no braço, que acabou não fazendo muita diferença para o desfecho da partida.

Do meio para a frente, Felipe Melo tem surpreendido. Tem ocupado os espaços bem, marcado direitinho, sem muita violência, e passado bem a bola. Quem te viu, quem te vê. O Kaká também surpreendeu. Ainda não está voando, mas mudou da água para o vinho se compararmos com a bolinha que jogou contra a Coreia. Elano manteve a regularidade, guardou mais um golzinho, mas acabou sendo castigado por aquela falta desleal, que o deixou fora de combate para a partida seguinte. Robinho esteve meio sumido. O principal lance dele, para mim, foi negativo. Aquela bola que ele pegou logo no comecinho e chutou em gol, tentando encobrir o goleiro. O Luís Fabiano corria solta pela esquerda. Houvesse passado a bola para ele, Robinho teria tornado o jogo ainda mais fácil.

Mas falemos do astro da noite: o Fabuloso, que jogou com vontade. Aquele segundo gol, apesar de irregular, foi uma pintura. Valeu pela plástica do lance, pela iniciativa do atacante. Claro, no dos outros é refresco. Fosse a Argentina que houvesse marcado um daqueles em cima da gente, estaríamos bufando até agora. Felizmente, não foi por causa daquele gol que vencemos o jogo, como no Argentina 2 x 1 da Copa de 86, quando o Maradona fez aquele com a mão. Teríamos ganhado por 2 x 1 e, acredito eu, se a Costa do Marfim houvesse apertado, tínhamos caixa pra mais. E vale notar: o nosso "gol de mão" foi mais bonito do que o do Maradona. Na hora, cheguei até a me lembrar daquele gol do Pelé na Copa da Suécia, em que o Rei chapelou o zagueiro. Houve até quem dissesse que o Fabuloso condensou em um lance o que fizeram Pelé e Maradona.

Mas ridículo mesmo foi aquele juiz francês. Perguntar ao Luís Fabiano se ele havia usado o braço foi ridículo. Teria sido melhor se houvesse simplesmente ignorado o lance. Volto a bater naquela tecla: ainda bem que o gol foi nosso. Mas a França não fez só papelão apitando: foi embora mais cedo, como última no grupo, assim como a Itália. Interessante é que França e Itália fizeram a final da última Copa. Alguém ainda não se convenceu de que futebol não tem lógica.

Mas vamos ver como o Brasil se sai diante dos portugueses. Aposto num 2 x 1 ou 3 x 1 pra gente. Não me impressionam os sete gols disparados contra a Coreia. Adversário nas oitavas? Confiando que sairemos em primeiro no grupo, devemos pegar o Chile. Acho que a Espanha atropela o Chile e a Suíça empata com Honduras. Até mais!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Brasil x Coreia do Norte

Ando meio afastado do blog porque estou com muito trabalho. Mas estou tentando me organizar e em breve volto a escrever aqui regularmente. Por ora, uma breve opinião sobre Brasil x Coreia do Norte.

Também acho que o Brasil jogou mal. Houve um momento na primeira etapa em que o time chegou a parar, dando a impressão de que não sabia o que fazer. Mas depois a coisa melhorou no segundo tempo. Quero atribuir muito disso ao nervosismo. Quem olhar o histórico recente das estreias brasileiras em Copa vai perceber que é sempre um jogo amarrado, difícil. Assim, não devemos nos deixar impressionar pelo placar.

Analisando friamente, sem paixões, nossos adversários devem estar pensando no seguinte: o passe do Robinho foi magistral e o gol do Maicon, como dizíamos na minha pelada, foi espírita. Ninguém na Copa fez um gol nem perto daquele. É esse talento que separa o Brasil da grande maioria das outras equipes. Fica a ideia de que, mesmo jogando mal, o Brasil tem jogadores talentosos que podem tirar dois coelhos daqueles da cartola e ganhar o jogo.

E para fechar, claro, faltou o Paulo Henrique Ganso ali para furar a retranca dos caras. Espero que o Dunga não venha a se arrepender de ter deixado o paraense fora do time. Aquele abraço!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Chapa (adendo)

Depois de escrever o artigo anterior, recebi uma mensagem de uma estimada colega e amiga, me chamando a atenção para o fato de que os chapas têm uma função específica: ajudar os caminhoneiros, seja orientando-os no trânsito, seja cuidando da carga e descarga do caminhão.

Mas e agora, isso muda alguma coisa na minha tradução? Sim, muda. Se eu estivesse, como mencionei, passando pela estrada e um estrangeiro me perguntasse o que significava aquilo, diria a ele a mesma coisa que disse antes (He is a day laborer) e explicaria que aquela pessoa faz um serviço específico. He helps truck drivers navigate the streets of large cities and oftentimes helps with loading and unloading the truck. Esse esclarecimento seria necessário e útil, pois os day laborers que ficam postados nos estacionamentos do 7 Eleven lá nos EUA se ocupam de outras tarefas, sobretudo na construção e na jardinagem.

Mas será que os caminhoneiros de lá dos EUA não têm o seu chapa para ajudar no trânsito das grandes cidades? Têm, têm sim. Ele segue o tempo inteiro na boleia do caminhão e se chama GPS.

E aí, meu chapa

Ontem me lembrei de outra palavra que aprendi depois que me mudei para o estado de São Paulo. Há uns meses, dirigindo pela rodovia Dom Pedro I, vi num sinal bem tosco, de papelão, próximo ao acostamento. Nele se lia a palavra CHAPA. Curioso que sou, fiquei me perguntado que história de chapa era aquela, mas acabei me esquecendo dela antes de voltar para casa.

Uns dias depois, passei lá com a Érica e aí perguntei a ela do que se tratava. Descobri que chapa é simplesmente um trabalhador informal, que fica ali na beira da estrada esperando alguém que passe e lhe ofereça um serviço, normalmente um trabalho braçal. Não me lembro de ver isso em Brasília.

Para os tradutores, como é que a gente chamaria esse chapa em inglês? Se eu estivesse passando ali na hora com um estrangeiro e ele me perguntasse o que significava aquilo, eu lhe diria, “He’s a day laborer”, que é uma figura bastante comum nos EUA.

Mas é bom ter cuidado na hora de traduzir do inglês para o português. Primeiro, chapa é uma gíria, enquanto day laborer não é necessariamente parte do registro informal da língua inglesa. Antes, é uma expressão da norma padrão do inglês.

Segundo, day laborer é um conceito bem mais amplo. Pode se referir tanto aos trabalhadores informais e pouco especializados que se reúnem em esquinas ou no estacionamento de lojas de conveniência à espera de alguém que passe e lhes dê serviço (a ideia mais próxima do nosso chapa), como aos que trabalham por empreitada e conseguem serviços de curta duração, normalmente inferior a um dia, de agências de emprego ou sindicatos.

Terceiro, é bom ter em mente também que uma parcela significativa desses trabalhadores é formada por imigrantes ilegais. Por esse motivo, embora sirvam de mão-de-obra barata para uns, são alvo de preconceito de outros e chegam até a ser vistos como criminosos em potencial.

Para concluir, do português para o inglês, day laborer é uma boa tradução para chapa, mas essa equivalência não funciona no caminho inverso. Para quem ainda se lembra de matemática, não temos uma correspondência biunívoca. Trocando em miúdos, todo chapa é um day laborer, mas nem todo day laborer é um chapa. Como sempre, o contexto vai ditar a melhor opção.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Fiscalização eletrônica

Para começar esses papos sobre tradução, algo que todo o mundo conhece. No fim de semana passado, fomos a Campos do Jordão visitar uns amigos. Pela Dom Pedro e Carvalho Pinto, se lia nas placas: "Fiscalização Eletrônica". Mas como se diz isso em inglês?

Se você pensou em electronic fiscalization, já comeu bola. Para começar, fiscalization não tem esse sentido do qual estamos tratando no português, como já mencionei num artigo neste blog. Mas não se aflija. As opções são várias:

Nos EUA, normalmente se vê uma placa branca com o limite de velocidade (speed limit) e, abaixo, os dizeres photo enforced. Mas e se for no sinal (ou farol, como dizem aqui em São Paulo)? Red light e, logo abaixo, photo enforced é bem comum, assim como o desenho clássico do sinal, com as três luzes coloridas, e photo enforced abaixo.

Outras expressões úteis nesse contexto são red light camera, speed camera, electronic speed tickets, e-tickets. Existe até um site, www.photoenforced.com, em que você pode verificar onde estão localizados os “pardais” nas ruas e estradas dos EUA. Evidentemente, a melhor opção no seu texto vai depender, como tudo na tradução, do contexto.

Mais tradução

Há tempos venho pensando em passar a escrever mais sobre tradução neste espaço. A partir de hoje, começo a pôr essa ideia em prática. Mas não esperem ensaios sobre teoria da tradução. Teoria não é a minha; gosto da prática. O que pretendo fazer é mais ou menos na linha do “mas como é que a gente traduziria isso?” Vou pegar coisas que encontro no dia a dia, seja na rua, no jornal, na Internet. Não fiz opção por esta ou aquela língua de partida. Também vou aproveitar para lançar um olhar crítico sobre o que se escreve por aí e mostrar que a coisa está cada vez mais feia.

É bom frisar que as sugestões de tradução a serem apresentadas são exatamente isso: sugestões, pois, com muito mais frequência do que imagina o leigo, há mais de uma forma de traduzir uma palavra, expressão, frase. Minhas traduções vão se basear na minha experiência, sobretudo com o inglês americano e os Estados Unidos, e podem diferir da sua tradução. Assim, acolherei críticas, sugestões, comentários, especialmente aqueles com soluções que funcionariam em outros países. O espaço é livre.

Por fim, antes que perguntem, os textos pessoais vão continuar, entremeados com os artigos sobre tradução. Ainda não vejo a necessidade de separar as duas coisas. Aquele abraço.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

A língua nossa de cada dia

Após ter passado praticamente a vida inteira em Brasília, minha cidade natal, e os últimos oito anos nos EUA, vim morar no interior de São Paulo, a mais ou menos uma hora da capital. Nesses quatro meses que estou aqui, tenho, como sempre, prestado muita atenção no que leio e escuto. Algumas coisas têm chamado a minha atenção, umas positivas, outras nem tanto.

Logo que chegamos, mais precisamente quando a Érica começou a dar aula, descobrimos com os alunos dela que uma coisa que sempre gostei de fazer tem nome. Desde pequeno, sempre tive o costume de molhar o pão ou a torrada ou o biscoito no café com leite. Aqui na região de Campinas, chamam isso de pochar. Conheciam? Serve também quando se molha o pão na sopa, no chá, etc. Entrou, claro, para o meu vocabulário.

Outra coisa que me chama a atenção aqui é o costume das pessoas de chamar as outras apenas pela primeira sílaba do nome. Não me lembro de fazermos isso em Brasília. Aqui é muito usual. Na escola, as crianças são chamadas de Rô e Clá. Pode?! E pensa que eles gostam? Já os instruí a responder que é Rodrigo e Clarissa. Mas para ter uma ideia de como é sério isso aqui, uma frase como esta seria perfeitamente compreensível na família da minha mulher, de São José do Rio Preto: “Pá, fala pra mã que a Dá, a Mi, o Fá e a Mê vão passar o fim de semana na casa da Vã e do Ju. Será que é costume só aqui em São Paulo ou isso é usual em outras partes do Brasil?

Mas tenho visto uma também que, vamos ser sinceros, é bem feia e, por mim, deveria sumir. Que história é essa de “chupa”? Quando o Flamengo eliminou o Corínthians na Libertadores, recebi um email de um amigo são-paulino com os dizeres “Chupa timinho”. No Twitter foi um tal de “Chupa Flamengo” após a eliminação da Libertadores. Mas não é só com time de futebol. No Twitter mesmo se lê Chupa PT, Chupa Garotinho, Chupa Dilma. Quando saí do Brasil no comecinho de 2002, eu não ouvia isso. De onde veio essa besteira? Tá bom de ela voltar pra lá e não aparecer mais.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Caro carro, carro caro (2)

A título de comparação, hoje deu no G1 que a Chevrolet vai lançar o sedã Malibu aqui no Brasil (http://tinyurl.com/38pljsx). O Malibu é um carrinho normal nos Estados Unidos, não é considerado um carro luxuoso. Lá, custa a partir de 22 mil dólares (http://tinyurl.com/29q637j). Aqui, vai custar a partir de 90 mil reais e, vejam só, vai ficar posicionado entre o Vectra e o Ômega. Mais um básico americano vendido aqui como carro de luxo e por um preço exorbitante.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Caro carro, carro caro

No fim de semana, li reportagem da revista Exame sobre o porquê dos automóveis serem tão caros no Brasil, tanto em termos absolutos como em comparação a outros países emergentes como o nosso. Para mim, dois pontos se destacaram, um evidente e outro que talvez não venha de imediato à ideia.

O primeiro é que uma boa parcela do preço dos carros é imposto. O governo arrecada muito e, claro, não vai abrir mão dessa fonte de receita só porque o povão quer carro mais barato. O segundo e, para mim, o pior, é que, apesar dos preços altos e das condições de crédito escorchantes, nunca se vendeu tanto carro no Brasil. Se vende tanto, por que as montadoras e revendedoras baixariam os preços? Ora, se a demanda pela minha mercadoria é grande, posso subir meu preço ou, ao menos, mantê-lo lá em cima.

Em suma, se alguém tinha alguma esperança de um dia não ter que gastar uma fortuna na hora de comprar um carro, pode ir tirando o cavalinho da chuva porque isso não vai ocorrer tão cedo. Assim como em tantos outros casos, continuaremos a pagar caro por um bem de qualidade inferior à que se consegue, por bem menos, em outros países.

sábado, 15 de maio de 2010

Chutes e pontapés

"Quando vamos subir no palco, o espírito é sempre esse: vamos chutar uns traseiros!" (Frase extraída da entrevista com Tom Hamilton, baixista do Aerosmith, publicada no caderno C2+música do Estadão de hoje e também no site do jornal (http://tinyurl.com/3687fqf).

Você aí que me lê, mas não fala inglês, deixa eu fazer uma pergunta: Entendeu o que esse cara quer dizer com essa história de subir ao palco e aplicar pontapés na bunda dos outros? Que história amalucada, hein? Faz sentido pra você?

Claro que não faz sentido. Na verdade, quem merece uns chutes é a anta do tradutor. Num contexto como esse, quando o sujeito diz que vai kick some ass, está simplesmente dizendo que vai botar pra quebrar ou, caso você prefira usar uma palavra chula como no inglês (ass não é palavra que se diga na frente da avó), botar pra foder (ou fuder, como preferem alguns).

Essa história me fez recordar de outro erro no mesmo estilo. Uma vez li que a Madonna havia dito que uma determinada música lhe havia arrancado as meias (had knocked her socks off). Música arrancando meia é brabo, hein?! A música havia simplesmente arrebatado a Madonna, lhe agradado em cheio, só isso.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Back in the saddle

After eight years as a staff translator at the IMF, my employment relationship with the Fund finally came to an end yesterday. This means I am now free to take any job or work that comes my way. I have set up shop in the São Paulo area and, for the time being, will be pursuing a freelance translator career.

Although I started out as a freelancer, working in-house for eight years makes it fell like I’m starting afresh on a completely new job. It’s not quite like that, but it’s still an exciting challenge.

So, JV is now open for business. Bring it on!

x - x - x

Após oito anos trabalhando como tradutor concursado no FMI, meu vínculo empregatício com o Fundo foi finalmente encerrado ontem. Isso significa que agora estou livre para aceitar o trabalho ou emprego que bem entender. Por ora, vou trabalhar como tradutor freelance na região de São Paulo.

Embora tenha começado como freelance, após trabalhar oito anos fora desse mercado, tenho a sensação de que estou começando num emprego totalmente novo. Claro, não é exatamente por aí, mas ainda assim tem um gostinho de desafio.

Portanto, estou de volta ao mercado e aberto a projetos e parcerias. Vamos em frente.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

A conta de luz e o frio

Na sexta-feira chegou a conta de luz. Duzentos e cinquenta e sete reais e uns quebrados! Se considerarmos que a casa em que moramos não tem calefação nem ar condicionado, uma conta dessas é uma fortuna, um disparate. Fico maluco quando penso que tenho que pagar tudo isso e, mesmo assim, passar calor no verão e frio no inverno. Gasta-se um montão e não se tem conforto, o que se aplica a vários aspectos da vida no Brasil. Nos EUA, pagava proporcionalmente menos pela energia, pois morava numa casa talvez um terço maior do que esta, com sistema de ar condicionado e aquecimento central. Mas é que somos roubados, sobretudo pelo governo. Nessa conta, só de ICMS, estão me tomando quase 65 reais.

x-x-x

Hoje amanheceu frio aqui em Vinhedo. Às 7h, fazia uns 13°. Meus amigos americanos certamente vão dizer que 13° não é frio. É, não é exatamente frio. Mas se você tem que ficar numa casa sem aquecimento, sentado à frente de um computador, batucando no teclado, aquele friozinho vai aborrecendo, vai fustigando o cristão. Encheu tanto o saco que fui calçar meias e mantive a calça jeans que pus para ir comprar o meu jornal e uma rúcula para o almoço. Olha, dá para dizer até que se sofre mais com o frio aqui do que lá onde morávamos. Mas lá fazia temperatura abaixo de zero, nevava, diriam os mais friorentos. Sim, mas dentro de casa era quentinho. Aqui, você não tem para onde correr. O jeito é se agasalhar todo, o que me desagrada. Casaco dentro de casa não dá.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Coisas que te deixam com os olhos marejados

Promessa é dívida: A tradução (livre, bem livre) do texto em inglês do dia 28 de abril.

"Acabei de receber uma mensagem da ex-professora da Clarissa do primeiro ano, lá da escola da Virgínia. Ela juntou recados enviados à Clarissa por alguns dos ex-coleguinhas. É o tipo de coisa que te deixa com os olhos marejados.

'Querida Clarissa,

A turma sente muita saudade de você! Temos umas coisinhas pra te dizer:

Espero que esteja curtindo aí no Brasil e torço para que se divirta bastante. (Caroline)

Espero que esteja se divertindo aí no Brasil. Você ainda tem aquele peixinho? (Natalie)

No Dia da Terra, demos um pulo fora da escola com os nossos colegas do quinto ano. Encontramos um monte de lixo e ajudamos a Terra. Você ainda está no meu coração e sinto muita saudade de você. Queria muito que você tentasse arrumar um voo para voltar com a sua família e vir à escola nos visitar. Queria que ficasse aqui pra sempre. Tenho certeza de que todos gostariam de te rever. (Kinsley)

Sinto tanta saudade de você! Estamos no quarto livro da Mrs. Piggle-Wiggle (Mitchell)

Espero que esteja curtindo bastante a sua nova escola. (McKenzie)

Quando estávamos catando lixo, encontramos uma canoa, mas não a jogamos fora; seria grande demais. (Christopher)

Sentimos muita saudade de você e torcemos para que volte. (Kate)

Clarissa, sentimos muita saudade de você. Esperamos que esteja se divertindo com sua família. Tem um menino novo, chamado Taylor, na nossa sala. Espero que esteja curtindo o Brasil. Adoramos quando você estava aqui conosco e ficamos tristes porque foi embora, mas ainda guardamos você no coração. Adoro você como amiga. Estamos muito felizes que você está se divertindo aí na sua nova casa. Sentimos muita saudade. Gostei pra valer de brincar com você e ainda guardo você no meu coração. (Brennan)

Espero que esteja gostando da sua nova casa. (Emily)

O tempo aí no Brasil é frio ou quente? Acho que deve ser quente porque fica perto do Equador. (Taylor)

Espero que esteja se divertindo aí no Brasil. (Eli)

Tem Dia da Terra aí no Brasil (Daniel B)

Espero que ainda esteja se divertindo aí no Brasil (Daniel F)'

O engraçado foi que, ontem à noite, a Clarissa pediu para dar uma olhada no scrapbook que deram para ela um dia antes de partirmos. Olhou detidamente cada página e, hoje de manhã, pediu para levá-lo para a escola, para mostrá-lo aos coleguinhas. Pra mim, foi uma coincidência assustadora.

Vou imprimir a mensagem da professora e deixá-la na cama da Clarissa. Vai ser uma tarde de fortes emoções."
 
Até que ela reagiu bem. Ficou felicíssima ao ler os recados. Os olhinhos brilhavam, mas não houve drama nem chororô porque queria voltar pra lá. Isso é bom.

Bem que eu queria ir

É, bem que eu queria ir ao Pacaembu logo mais, dar uma força para o meu Mengão, mas não vou. E não é porque não consegui ingresso. Na verdade, nem procurei. Achei melhor ficar em casa e ver pela TV. Afinal de contas, não é de hoje que ir a um estádio de futebol no Brasil é quase sempre um programa de índio com selo de qualidade Funai.

No comecinho de fevereiro, menos de duas semanas após voltarmos para o Brasil, estávamos hospedados na casa de uma prima da Érica, perto de Campinas. O marido da prima, corinthiano, me chamou para irmos ver o Timão enfrentar a Ponte Preta lá no Moisés Lucarelli, o Majestoso (que devia ser majestoso quando foi inaugurado; agora está de dar pena). Fomos, mas que situação. Saímos de casa como se estivéssemos indo para a guerra. As mulheres nos cobriram de recomendações e pediram que tomássemos cuidado e não sei mais o quê. Ficaram em casa preocupadas. Pode?

Eu fico me lembrando de quando ia a praças de esportes lá nos EUA. Nem passava pela cabeça da Érica que eu poderia correr algum risco lá no jogo. Corria tudo na maior tranquilidade, na maior civilidade. Não havia esse negócio de uma torcida entrar por um lado e outra por outro; nada de um torcedor intimidar o outro, dar “pescotapa”, jogar xixi. Isso é coisa de bicho. Cada um torce para o time que bem entender, ora!

Mas voltando ao clássico Macaca x Timão, que experiência! No campo, o jogo até que foi bom, bem movimentado, disputado. Mas o resto foi triste. Na chegada, você já fica preocupado com o carro. Onde estacionar? Por que dar 10 reais para um vagabundo que diz que vai “tomar de conta”, mas vai embora para casa aos 5 minutos do primeiro tempo? Será que o carro vai estar lá quando voltarmos? Mas o negócio é entregar a Deus e torcer para que nada ocorra.

Lá dentro, a coisa piorou. Acabei no meio da torcida do Corínthians, entre a Camisa 12 e a Pavilhão 9. Já imaginaram que beleza? E ai de você se der pinta de que não torce para o time deles. Você fica lá tenso, acompanhando o jogo, mas sem deixar transparecer que está ali apenas para apreciar a partida. Para salvar a minha pele, eu reclamava de um ou outro jogador, xingava o juiz. Apanhar é que eu não iria, ora! É uma pena que seja esse o clima em grande parte das arquibancadas dos estádios brasileiros. Ou você se enquadra e segue o que o chefe mandar, ou então corre sério risco de não sair dali inteiro.

Mas o pior ainda estava por vir. Em dado momento, uma das organizadas quis esticar a sua faixa ali na frente e também mostrar que estava ali seguindo o seu time. Outra, que já estava com a sua faixa colocada desde o primeiro tempo, se melindrou e não quis afastar a sua faixa para dar espaço para a da outra. Começaram a se olhar feio, e eu pensando, “Não, esses animais não me vão brigar aqui por causa de uma porcaria de uma faixa”. E enquanto isso, a polícia só olhava e o Finazzi, ex-jogador corinthiano, virava o jogo para a Ponte. Pronto, aquele gol tinha tudo para desencadear um quebra-pau generalizado. Era o programa de índio se tornando cada vez mais real.

Mas tudo acabou bem. Fomos embora rapidinho tão logo o juiz apitou o fim da partida, encontramos o carro onde o havíamos deixado e chegamos em casa sãos e salvos, para o alívio das esposas. Mas peraí? Isso é lá diversão? Duas, três horas de tensão apenas porque saímos de casa para ver um jogo? Já está mais do que na hora de as autoridades apertarem essa turma barra pesada travestida de torcedor, afugentá-los dos estádios e tornar um jogo de futebol um programa família, como o é qualquer evento esportivo nos Estados Unidos. Um dia chegamos lá.

sábado, 1 de maio de 2010

"Quando vamos subir no palco, o espírito é sempre esse: vamos chutar uns traseiros!" Frase tirada da entrevista com Tom Hamilton, baixista do Aerosmith, publicada no caderno C2+música do Estadão de hoje, bem como no site do jornal (http://tinyurl.com/3687fqf).

Você aí que me lê, mas não fala inglês, deixa eu perguntar: O que você entende por isso aí que o Hamilton disse? Que história amalucada é essa de subir no palco e chutar a bunda dos outros? Faz sentido pra você?

Claro que não faz sentido. Na verdade, quem merece uns chutes é a anta do tradutor. Num contexto como esse aí, quando o sujeito diz lá em inglês kick some ass, ele quer dizer, em bom português, botar pra quebrar ou, se você quiser usar uma expressão chula como a do inglês (ass não é palavra que se diga na frente da sua avó), botar pra foder (ou fuder, como preferem alguns).

Essa aí me fez lembrar de um outro erro no mesmo estilo. Uma vez li em algum lugar que a Madonna havia dito que determinada música lhe havia arrancado as meias (it had knocked her socks off). Em português, música arrancar meia é de lascar, hein?! A música arrebatou a Madonna, a agradou em cheio. As meias, tenho certeza, não saíram dos pés dela.